Abandono escolar dispara na rede estadual do Alto Tietê em 2024

Levantamento aponta alta na evasão escolar em todas as cidades da região no ensino estadual, enquanto redes municipais mantêm índices de controle no período.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 08:194 min de leitura

Abandono escolar dispara na rede estadual do Alto Tietê em 2024
Resumo em 10 segundos

Aumento generalizado na rede estadual de ensino acende alerta para evasão escolar em dez municípios da região do Alto Tietê.

Um levantamento recente sobre os indicadores educacionais aponta que todas as cidades do Alto Tietê registraram crescimento no abandono escolar dentro da rede estadual de ensino fundamental entre os anos de 2024 e 2025. O cenário contrasta com o desempenho das administrações locais, já que, nas redes municipais, a grande maioria das prefeituras conseguiu manter os índices de evasão sob controle, com apenas três municípios apresentando oscilação negativa nesse indicador.

O cenário crítico nas escolas estaduais

O avanço do abandono escolar no ensino fundamental gerido pelo Estado de São Paulo preocupa especialistas e gestores públicos. De acordo com os dados consolidados, o fenômeno foi verificado em cidades como Mogi das Cruzes, Suzano e Itaquaquecetuba, onde o número de alunos que deixaram as salas de aula superou as marcas registradas no ciclo anterior. Esse movimento indica uma dificuldade de retenção dos estudantes em uma fase considerada crucial para a formação básica, afetando diretamente o fluxo escolar na região.

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Embora o governo estadual tenha implementado programas de busca ativa, o impacto das ausências prolongadas reflete desafios socioeconômicos que atingem as famílias do Alto Tietê. Em municípios de menor porte, como Biritiba Mirim e Salesópolis, o crescimento percentual do abandono também foi notado, evidenciando que o problema não se restringe apenas aos grandes centros urbanos da região metropolitana. A Secretaria da Educação do Estado enfrenta agora a pressão para reverter esses números e garantir a permanência dos jovens nas unidades escolares.

Estabilidade nas redes municipais

Por outro lado, o ensino fundamental I, sob responsabilidade das prefeituras, demonstra maior resiliência. Na maioria das cidades da região, os índices de evasão permaneceram baixos ou estáveis. Apenas três redes municipais registraram aumento no número de alunos desistentes, o que sugere que as estratégias de acompanhamento familiar e proximidade das escolas com a comunidade local têm surtido efeito positivo. Em cidades como Poá e Arujá, a manutenção desses indicadores é vista como um ponto positivo na gestão educacional pública.

A diferença entre os resultados das duas esferas de governo pode estar atrelada ao modelo de gestão e à faixa etária atendida. Enquanto as prefeituras focam nos anos iniciais, onde a supervisão dos pais é mais direta, a rede estadual lida com a transição para a adolescência, período em que o risco de afastamento da escola cresce significativamente. Autoridades locais reforçam que o monitoramento constante da frequência é a principal ferramenta para evitar que o Alto Tietê sofra retrocessos educacionais mais graves nos próximos anos.

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Contexto

O abandono escolar é um dos principais entraves para o desenvolvimento social e econômico a longo prazo. No Brasil, a pandemia de Covid-19 agravou as defasagens de aprendizado, e a região do Alto Tietê ainda tenta recuperar o ritmo de ensino anterior ao período de crise sanitária. Historicamente, os índices de evasão no Estado de São Paulo vinham apresentando quedas graduais, mas a inversão dessa tendência em 2024 coloca em xeque a eficácia das políticas de acolhimento estudantil.

Além dos fatores pedagógicos, questões como a necessidade de inserção precoce no mercado de trabalho e a vulnerabilidade social são apontadas por assistentes sociais como causas diretas para a saída dos estudantes. No Alto Tietê, a concentração de áreas periféricas exige um esforço conjunto entre as pastas de Educação e Assistência Social para garantir que o direito ao estudo seja preservado, independentemente da rede de ensino em que o aluno esteja matriculado.

Próximos passos

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Diante dos dados, espera-se que o governo estadual intensifique as ações do programa de monitoramento escolar e reavalie as metodologias de ensino para tornar o ambiente acadêmico mais atrativo. Conselhos Tutelares e o Ministério Público devem acompanhar de perto os novos relatórios de frequência para cobrar medidas efetivas das prefeituras que apresentaram alta e, principalmente, da gestão estadual, visando reduzir o abandono escolar até o fechamento do ciclo de 2025.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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