Acre registra alta em crimes ambientais e intensifica fiscalização no interior
Novas operações de combate ao desmatamento e queimadas ilegais mobilizam forças de segurança no Acre após dados alarmantes registrados neste mês de julho.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 22:433 min de leitura
Governo estadual reforça patrulhamento em áreas de preservação após aumento de focos de incêndio e extração ilegal de madeira.
As autoridades de segurança e órgãos ambientais do Acre iniciaram, nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, uma ofensiva estratégica para conter o avanço da degradação florestal no interior do estado. A medida ocorre em resposta ao crescimento de 25% nas ocorrências de crimes contra a natureza registradas na primeira quinzena deste mês, concentrando esforços em municípios como Sena Madureira e Tarauacá, onde a atividade ilegal tem se mostrado mais agressiva.
Como o caso aconteceu
O monitoramento realizado por satélite identificou uma mancha de desmatamento que avança sobre terras indígenas e unidades de conservação. De acordo com o Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC), as equipes de campo encontraram maquinário pesado operando em regiões de difícil acesso durante o último fim de semana. A operação resultou na apreensão de três tratores e cerca de 500 metros cúbicos de madeira nobre que seriam transportados sem a devida documentação legal para estados vizinhos.
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A fiscalização também identificou que muitos desses focos de calor são originados por queimadas controladas que perderam o domínio, agravadas pelo período de seca severa que atinge o Norte do Brasil. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar, o número de chamados para combater incêndios em pastagens e áreas de floresta primária subiu drasticamente nas últimas 48 horas, exigindo o deslocamento de brigadistas extras para as frentes de trabalho mais críticas.
O que dizem as autoridades
Em pronunciamento oficial, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que o policiamento ambiental será mantido por tempo indeterminado nas rotas de escoamento de produtos florestais. O secretário da pasta destacou que o objetivo é sufocar a logística financeira de grupos que lucram com a exploração predatória. Além das multas, que já somam mais de R$ 2 milhões apenas nesta operação, os envolvidos responderão criminalmente por danos ao patrimônio da União.
Paralelamente, o governo busca integrar ações com o Ministério Público para agilizar a punição de proprietários rurais que descumprem o Código Florestal. A estratégia inclui o uso de drones de alta tecnologia capazes de identificar movimentações suspeitas sob a copa das árvores, permitindo que as equipes de solo cheguem aos locais antes que o dano ambiental seja irreversível. A meta é reduzir os índices de criminalidade no campo em até 40% até o final do segundo semestre de 2026.
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Contexto
Historicamente, o estado do Acre enfrenta desafios logísticos para monitorar sua vasta extensão territorial, especialmente na divisa com o Amazonas e a fronteira com o Peru. O mês de julho é tradicionalmente crítico devido à baixa umidade do ar e à ausência de chuvas, fatores que facilitam a propagação de incêndios. Em anos anteriores, a fumaça proveniente dessas queimadas chegou a atingir níveis perigosos em Rio Branco, afetando a saúde pública e o tráfego aéreo na capital.
Dados do sistema de alertas de desmatamento indicam que a pressão sobre as florestas públicas aumentou após a valorização de commodities agrícolas no mercado internacional. Isso tem levado à conversão irregular de solo florestal em áreas de pastagem, muitas vezes de forma clandestina. O governo estadual tenta equilibrar o desenvolvimento econômico com a preservação, mas a fiscalização rigorosa permanece como a principal ferramenta de contenção em períodos de crise climática.
Próximos passos
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As equipes de fiscalização devem permanecer acampadas em pontos estratégicos das rodovias BR-364 e BR-317 para realizar blitze constantes em caminhões de carga. Espera-se que, com a chegada de novos equipamentos e o reforço do efetivo, os índices de desmate apresentem queda na próxima leitura oficial. O monitoramento aéreo continuará sendo a peça-chave para antecipar crimes e garantir a integridade das reservas extrativistas do estado.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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