Polícia

Agiotagem e extorsão: Seis pessoas são presas em operação na Bahia

A Polícia Civil desarticulou um esquema de empréstimos abusivos e ameaças em Campo Formoso, Senhor do Bonfim e São José do Jacuípe durante a Operação El Dourado.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 17:143 min de leitura

Agiotagem e extorsão: Seis pessoas são presas em operação na Bahia
Resumo em 10 segundos

Ação policial desarticula grupo criminoso especializado em empréstimos abusivos e cobranças violentas no interior baiano.

Uma força-tarefa da Polícia Civil da Bahia cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão nesta semana, resultando na captura de seis suspeitos de integrar uma rede de agiotagem e extorsão. As diligências ocorreram simultaneamente nos municípios de Campo Formoso, Senhor do Bonfim e São José do Jacuípe, visando desestruturar o braço financeiro de uma organização que explorava vítimas vulneráveis sob forte coação psicológica e física.

Detalhes da Operação El Dourado

Batizada de Operação El Dourado, a ofensiva foi deflagrada após meses de investigação que monitoraram a movimentação financeira atípica do grupo. De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos ofereciam dinheiro rápido com taxas de juros exorbitantes, muito superiores aos limites legais permitidos no país. Quando as vítimas não conseguiam arcar com as parcelas, o grupo passava a utilizar métodos de extorsão e ameaças de morte para garantir o recebimento dos valores, muitas vezes tomando bens pessoais como garantia.

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Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam diversos itens que comprovam a prática ilícita. Entre o material confiscado estão notas promissórias, documentos de veículos, cartões bancários de terceiros e cadernos com anotações detalhadas da contabilidade do crime. Em um dos endereços, em Campo Formoso, a polícia também localizou quantias em espécie que seriam fruto das cobranças realizadas nos últimos dias, reforçando as evidências contra os seis detidos na ação.

O impacto nas cidades atingidas

As investigações apontam que a rede de agiotagem possuía um alcance significativo na região norte do estado. Em Senhor do Bonfim, a estrutura do grupo era utilizada para lavar o dinheiro proveniente das cobranças, enquanto em São José do Jacuípe, o foco estava na captação de novos clientes que, por estarem negativados em órgãos de proteção ao crédito, recorriam aos criminosos. A Segurança Pública ressalta que o medo imposto pelos suspeitos impedia que muitas vítimas denunciassem os abusos anteriormente.

Os indivíduos presos foram encaminhados para as unidades prisionais da região e permanecem à disposição do Poder Judiciário. Eles devem responder pelos crimes de agiotagem, extorsão, associação criminosa e, em alguns casos, posse ilegal de armas de fogo, uma vez que armamentos foram encontrados com parte do grupo durante as buscas. A polícia agora trabalha para identificar outros possíveis integrantes e beneficiários do esquema de lavagem de dinheiro.

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Contexto

A prática da agiotagem, embora comum em pequenas cidades do interior, é considerada um crime contra a economia popular. No estado da Bahia, as operações contra esse tipo de delito têm se intensificado devido à conexão direta entre os cobradores e facções criminosas locais, que utilizam o capital do tráfico para financiar os empréstimos. A Operação El Dourado é vista como um passo crucial para reduzir a violência urbana, já que muitas execuções no interior estão ligadas a dívidas não pagas com agiotas.

Historicamente, cidades como Senhor do Bonfim servem como polos comerciais regionais, o que atrai esse tipo de criminalidade financeira pela alta circulação de mercadorias e dinheiro. O combate a essas redes visa não apenas punir os envolvidos, mas também oferecer segurança para que pequenos comerciantes e cidadãos não fiquem reféns de sistemas paralelos de crédito que operam à margem da lei e da fiscalização do Banco Central.

Próximos passos

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A Polícia Civil continuará a análise dos documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos para mapear a extensão total do patrimônio do grupo. Novas fases da Operação El Dourado não estão descartadas, e as autoridades pedem que outras vítimas que se sintam coagidas procurem a delegacia mais próxima para prestar depoimento sob sigilo, auxiliando na robustez do inquérito que será enviado ao Ministério Público.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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