Amazonas registra seis prisões de professores de jiu-jítsu por crimes sexuais

Levantamento aponta série de detenções de instrutores de artes marciais suspeitos de abusos contra crianças e adolescentes em Manaus e no interior do estado.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 19:573 min de leitura

Amazonas registra seis prisões de professores de jiu-jítsu por crimes sexuais
Resumo em 10 segundos

Ações policiais e denúncias de famílias revelam cenário alarmante de violência sexual em academias de artes marciais no estado.

Em um intervalo de menos de dois anos, o estado do Amazonas registrou a prisão de seis professores de jiu-jítsu sob a suspeita de envolvimento em crimes sexuais. As investigações, conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas, apontam que as vítimas são majoritariamente crianças e adolescentes, além de jovens atletas que treinavam sob a supervisão dos acusados. O caso mais recente acendeu um alerta nas autoridades de segurança pública sobre a vulnerabilidade de menores em ambientes esportivos de alto rendimento no Norte do país.

Como o caso aconteceu

O padrão identificado pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) revela que os suspeitos utilizavam a posição de autoridade e a confiança estabelecida entre mestre e aluno para praticar os abusos. De acordo com os inquéritos, os crimes ocorriam frequentemente durante treinamentos intensivos ou em viagens para competições fora de Manaus. Em alguns episódios relatados, os agressores chegavam a oferecer benefícios técnicos ou patrocínios para silenciar as vítimas, criando um ambiente de coerção psicológica que dificultava a denúncia imediata por parte dos menores de idade.

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O que dizem as autoridades

A Polícia Civil reforça que a colaboração dos responsáveis é fundamental para o desfecho das prisões. Segundo a delegada titular da Depca, as investigações ganharam força após o surgimento de múltiplos depoimentos que corroboravam o mesmo modus operandi em diferentes academias da capital amazonense. As autoridades destacam que o número de seis detidos pode aumentar à medida que novas denúncias são formalizadas após a exposição pública dos primeiros casos. Os acusados respondem por crimes que variam de estupro de vulnerável a importunação sexual, com penas que podem ultrapassar os 15 anos de reclusão.

Reação da comunidade esportiva

A Federação de Jiu-Jítsu do Amazonas e outras entidades ligadas à modalidade têm sido pressionadas a adotar critérios mais rigorosos de fiscalização. O setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) monitora o histórico de profissionais que atuam em projetos sociais e centros de treinamento privados. O impacto das prisões gerou uma onda de revisão de condutas em Manaus, onde o esporte é extremamente popular, levando academias a instalarem câmeras de monitoramento e a exigirem certidões de antecedentes criminais atualizadas de todos os instrutores e auxiliares técnicos.

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Contexto

O Amazonas é um dos principais polos de formação de atletas de lutas no mundo, exportando talentos para organizações internacionais. No entanto, o crescimento do esporte não foi acompanhado por uma rede de proteção eficiente. Dados da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) indicam que o ambiente esportivo, quando carente de supervisão externa, torna-se um local de risco para o abuso de poder. O histórico de seis prisões em apenas 24 meses reflete uma mudança na postura das vítimas, que passaram a buscar justiça contra figuras anteriormente consideradas intocáveis na hierarquia das artes marciais.

Próximos passos

O Ministério Público estadual deve oferecer novas denúncias conforme os laudos periciais e depoimentos sejam concluídos. A expectativa é que o Tribunal de Justiça do Amazonas agilize os julgamentos para garantir que os envolvidos permaneçam afastados do convívio social e de atividades pedagógicas. Enquanto isso, campanhas de conscientização em escolas e clubes esportivos de Manaus buscam ensinar jovens a identificar sinais de comportamento abusivo e a reportar qualquer irregularidade imediatamente aos canais de denúncia, como o Disque 100.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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