Amazônia: floresta se regenera após 20 anos de fogo, mas perde biodiversidade

Estudo revela que a recuperação da Amazônia após incêndios e secas não devolve a vegetação original, resultando em uma floresta com composição de espécies alterada.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 09:343 min de leitura

Amazônia: floresta se regenera após 20 anos de fogo, mas perde biodiversidade
Resumo em 10 segundos

Estudo científico de longo prazo revela que áreas degradadas por queimadas conseguem recompor a cobertura vegetal, mas perdem a essência da mata primária.

Uma pesquisa conduzida ao longo de duas décadas aponta que a Amazônia possui uma capacidade de resiliência notável contra o fogo, porém a regeneração não ocorre de forma idêntica à floresta original. O levantamento, que acompanhou áreas atingidas por incêndios e secas extremas, demonstra que, embora o verde retorne à paisagem, a composição de espécies de árvores e a estrutura do ecossistema permanecem profundamente alteradas mesmo após 20 anos do último foco de calor detectado.

O processo de recomposição da mata

O monitoramento detalhado revelou que a biomassa da floresta tende a se estabilizar com o passar do tempo, mas o perfil das plantas que ocupam esses espaços é diferente. Nas áreas afetadas pelo fogo, as árvores de grande porte e madeira densa, típicas da floresta primária, costumam dar lugar a espécies pioneiras, que crescem mais rápido, mas estocam menos carbono. Segundo dados coletados por pesquisadores, essa transição cria uma espécie de "floresta secundária eterna", que dificilmente retornará ao estado de clímax ecológico observado antes da intervenção humana.

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Além das queimadas, a combinação com vendavais e períodos de estiagem prolongada acelera a mortalidade de árvores remanescentes. O estudo indica que a mortalidade arbórea pode continuar elevada por muitos anos após o evento de fogo inicial, o que impede que a floresta recupere sua complexidade estrutural completa. Esse fenômeno afeta diretamente a fauna local, uma vez que a oferta de alimentos e abrigos muda drasticamente com a nova configuração da flora em regiões degradadas.

Impacto da crise climática na regeneração

As autoridades ambientais e especialistas alertam que a frequência crescente de eventos climáticos extremos dificulta ainda mais esse processo de cura natural. Em estados como Mato Grosso e no Pará, onde o arco do desmatamento é mais agressivo, o intervalo entre um incêndio e outro tem diminuído. De acordo com o monitoramento, sem um período de pelo menos três décadas de isolamento total e ausência de novas queimadas, a Amazônia perde a chance de restaurar suas funções ecológicas mais básicas, como a regulação do ciclo de chuvas.

Outro ponto crítico destacado pela análise técnica é a vulnerabilidade das bordas da floresta. Áreas que sofreram fragmentação por estradas ou pastagens são as que apresentam a pior taxa de recuperação. O Ministério do Meio Ambiente tem reforçado que o controle do fogo é a ferramenta mais eficaz para garantir a sobrevivência do bioma, visto que a regeneração assistida ou natural demanda um tempo que a crise climática atual pode não permitir.

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Contexto

Historicamente, a Amazônia não é um bioma adaptado ao fogo, diferentemente do Cerrado. As chamas na região amazônica são quase sempre de origem antrópica, causadas para limpeza de pasto ou após o desmatamento ilegal. Em 1998 e 2015, grandes episódios de El Niño provocaram secas históricas que facilitaram a propagação de incêndios de sub-bosque, que são silenciosos e matam a floresta por dentro, afetando milhões de hectares de vegetação nativa.

A degradação progressiva gera o que cientistas chamam de "savanização" de trechos da floresta. Quando a estrutura da mata é rompida, a temperatura interna sobe e a umidade cai, criando um ciclo vicioso que torna a floresta tropical mais inflamável. Atualmente, estima-se que mais de 20% da cobertura original já tenha sofrido algum tipo de degradação, mesmo que ainda não tenha sido totalmente desmatada.

O que esperar

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Os próximos passos para a conservação envolvem políticas rígidas de desmatamento zero e o combate ao uso do fogo na agropecuária extensiva. A manutenção da biodiversidade amazônica depende agora não apenas de parar as motosserras, mas de garantir que as áreas em recuperação permaneçam intocadas por gerações. A ciência é clara ao afirmar que a Amazônia do futuro será diferente, mas o nível dessa transformação dependerá das ações de fiscalização implementadas pelo Governo Federal nos próximos anos.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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