Analista de sistemas denuncia tortura e cárcere em sede de torcida em Salvador
Vítima relata agressões e roubo após ser questionada sobre suposta fraude em software desenvolvido para organizada. Polícia Civil da Bahia investiga o crime.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 16:153 min de leitura

Homem afirma ter sido mantido em cárcere privado por quatro horas sob violência física e ameaças de morte na capital baiana.
Um analista de sistemas registrou uma ocorrência grave contra membros de uma torcida organizada em Salvador nesta semana. O profissional alega ter sido vítima de tortura, agressão e roubo após ser convocado para prestar esclarecimentos sobre um software que ele próprio desenvolveu para a agremiação. O crime teria ocorrido dentro da sede da entidade, onde o homem foi submetido a uma sessão de violência que durou cerca de quatro horas, resultando em ferimentos e prejuízos materiais.
Detalhes das agressões e extorsão
De acordo com o depoimento prestado à Polícia Civil da Bahia, o desenvolvedor foi atraído ao local sob o pretexto de resolver problemas técnicos no sistema da torcida. Ao chegar, foi confrontado com acusações de que estaria cometendo fraudes financeiras através do código do programa. O analista nega qualquer irregularidade e afirma que, diante da negativa, o grupo passou a utilizar violência física e psicológica para forçar uma confissão. Durante o período em que esteve detido, a vítima teve seu aparelho celular e outros pertences pessoais subtraídos pelos agressores.
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A investigação policial em curso
A Polícia Civil, por meio da unidade territorial responsável, confirmou que as investigações já foram iniciadas para identificar todos os envolvidos na ação criminosa. Os agentes buscam imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas que possam corroborar o relato da vítima. O analista de sistemas foi encaminhado para realizar o exame de corpo de delito no Departamento de Polícia Técnica (DPT), procedimento essencial para comprovar a materialidade das agressões sofridas durante o cárcere na sede da organizada.
O que dizem as autoridades
Em nota oficial, as autoridades de segurança pública ressaltaram que crimes de autotutela — quando grupos tentam fazer justiça com as próprias mãos — não serão tolerados e são passíveis de penas severas. O caso está sendo tratado com prioridade devido à natureza das denúncias, que envolvem tortura e roubo qualificado. Investigadores trabalham agora para cruzar os dados dos responsáveis pela gestão da torcida no dia do ocorrido com as descrições fornecidas pelo profissional agredido na capital baiana.
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Contexto
O ambiente das torcidas organizadas em Salvador tem sido monitorado de perto pelas autoridades devido ao histórico de conflitos, mas casos envolvendo prestadores de serviços técnicos são considerados atípicos. O uso de tecnologia e sistemas de gestão por essas entidades cresceu nos últimos anos para controlar o quadro de sócios e a venda de produtos oficiais, o que aumentou a circulação de dados sensíveis e valores financeiros sob a custódia de civis e desenvolvedores contratados.
Próximos passos
A expectativa é que os diretores da torcida organizada sejam intimados a depor nos próximos dias para esclarecer quem estava presente no local no momento do crime. A vítima segue sob proteção de familiares e aguarda o avanço do inquérito para buscar reparação judicial pelos danos físicos e morais sofridos. A polícia não descarta realizar mandados de busca e apreensão na sede da agremiação para recuperar os itens roubados do analista.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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