Anvisa alerta para alta em efeitos adversos de testosterona em mulheres

Agência Nacional de Vigilância Sanitária monitora aumento de complicações graves e reforça que uso do hormônio para fins estéticos não possui indicação médica.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 08:183 min de leitura

Anvisa alerta para alta em efeitos adversos de testosterona em mulheres
Resumo em 10 segundos

Aumento de notificações de reações negativas acende alerta sobre o uso indiscriminado do hormônio para fins estéticos e de performance.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um comunicado urgente diante do crescimento no número de notificações de efeitos adversos relacionados ao uso de testosterona por pacientes do sexo feminino. A agência reguladora reforça que a substância possui indicações terapêuticas restritas e que a utilização para o ganho de massa muscular ou aumento da libido fora dos protocolos estabelecidos representa um risco severo à saúde pública no Brasil.

Riscos e complicações sistêmicas

O uso inadequado do hormônio tem provocado uma série de complicações que chegam aos consultórios médicos e centros de toxicologia. Segundo especialistas monitorados pela Anvisa, a administração de doses supra-fisiológicas em mulheres pode resultar em danos hepáticos graves e problemas no sistema cardiovascular, incluindo o aumento do risco de infartos e derrames. Além dos riscos internos, o corpo manifesta sinais visíveis de virilização, como o crescimento excessivo de pelos, engrossamento da voz e queda de cabelo acentuada.

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O monitoramento sanitário aponta que muitas dessas prescrições ocorrem sob o pretexto de "modulação hormonal" ou fins puramente estéticos, práticas que não possuem respaldo científico das principais entidades médicas do país. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) tem sido enfática ao afirmar que a testosterona não é um hormônio para ser utilizado de forma recreativa ou para o rejuvenescimento, alertando que os efeitos colaterais podem ser irreversíveis em muitos casos registrados em 2023 e 2024.

Indicações restritas e segurança

Atualmente, a única indicação clínica reconhecida para o uso de testosterona em mulheres é para o tratamento do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH), e apenas em pacientes que já passaram pela pós-menopausa. Mesmo nestas circunstâncias específicas, a dosagem deve ser rigorosamente controlada para mimetizar os níveis naturais do organismo feminino, longe das concentrações encontradas em produtos voltados para o público masculino ou em fórmulas manipuladas sem critério técnico.

As autoridades de saúde destacam que a comercialização de implantes hormonais, popularmente conhecidos como "chips da beleza", potencializou o uso indevido da substância. A Anvisa reitera que não há produtos nestes formatos aprovados para finalidades estéticas e que a fiscalização será intensificada em farmácias de manipulação e clínicas médicas que promovem o uso irregular do esteroide. O alerta serve como um freio à crescente tendência de medicalização do corpo feminino em busca de padrões de beleza inalcançáveis.

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Contexto

O debate sobre o uso de hormônios no Brasil ganhou novos capítulos após o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibir, em resolução recente, a prescrição de esteroides androgênicos para fins estéticos e de desempenho esportivo. A medida foi tomada com base na ausência de evidências científicas de segurança a longo prazo e no aumento exponencial de casos de insuficiência hepática e distúrbios psiquiátricos associados ao abuso dessas substâncias.

Historicamente, a testosterona sempre foi associada à saúde masculina, mas a disseminação de informações incorretas em redes sociais criou um mercado paralelo perigoso. Dados do setor de farmacovigilância indicam que o perfil das usuárias é composto majoritariamente por mulheres jovens, entre 20 e 45 anos, que buscam resultados rápidos em academias, ignorando os protocolos de segurança estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Próximos passos

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A Anvisa deve manter a vigilância ativa sobre as notificações de eventos adversos e não descarta endurecer as regras para a prescrição e retenção de receitas de medicamentos que contenham testosterona. Orienta-se que pacientes que apresentam sintomas como arritmias, alterações de humor severas ou sinais de toxicidade procurem atendimento médico imediato e realizem a denúncia junto aos canais oficiais do governo federal para alimentar o banco de dados de segurança do paciente.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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