Aos 65 anos, paraibana supera o analfabetismo e lança livro autoral

Maria da Conceição, moradora do Sertão da Paraíba, conclui o ensino médio na terceira idade e transforma sua história de superação em obra literária escrita à mão.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 15:143 min de leitura

Aos 65 anos, paraibana supera o analfabetismo e lança livro autoral
Resumo em 10 segundos

Exemplo de resiliência no Sertão, idosa que trabalhou na roça vence barreiras educacionais e se prepara para estrear na literatura.

A moradora de Sousa, no interior da Paraíba, Maria da Conceição, alcançou um marco histórico em sua trajetória pessoal ao concluir o ensino médio aos 65 anos. Após uma vida marcada pela ausência de oportunidades escolares, a estudante não apenas dominou a leitura e a escrita, mas também finalizou a produção de seu primeiro livro, escrito inteiramente à mão. O feito simboliza a superação de décadas de invisibilidade educacional enfrentada por cidadãos da zona rural nordestina.

O desafio da infância no campo

A trajetória de Maria da Conceição reflete a realidade de muitos brasileiros de sua geração. Durante a infância e juventude, a necessidade de sobrevivência falou mais alto do que os livros. A distância geográfica entre sua residência e a unidade escolar mais próxima, somada à rotina exaustiva do trabalho na roça, impediu que ela iniciasse o processo de alfabetização na idade considerada regular. Por décadas, o desejo de compreender as letras permaneceu adormecido enquanto ela se dedicava às lides do campo no Sertão paraibano.

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A virada por meio da educação

O retorno às salas de aula aconteceu em uma fase da vida em que muitos planejam a aposentadoria. Decidida a mudar seu destino, a paraibana matriculou-se em programas voltados para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Com o apoio de professores e familiares, ela percorreu todas as etapas do ensino fundamental e médio. O processo de aprendizagem da escrita foi tão transformador que Maria passou a registrar suas memórias e reflexões em cadernos, o que eventualmente deu origem aos originais de sua obra literária.

Literatura como forma de libertação

O livro escrito por Maria da Conceição é um relato de resistência. Produzido de forma manuscrita, o texto detalha as dificuldades enfrentadas no semiárido e a alegria de finalmente conseguir ler o próprio nome e o mundo ao seu redor. De acordo com educadores que acompanharam sua jornada, a persistência da aluna serve de inspiração para outros 200 mil idosos que ainda são analfabetos no estado da Paraíba, segundo dados recentes sobre educação básica.

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Contexto

O analfabetismo na terceira idade ainda é um desafio estrutural no Brasil. Dados do IBGE indicam que a taxa de analfabetismo entre pessoas com 60 anos ou mais é significativamente superior à média nacional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Histórias como a de Maria da Conceição reforçam a importância de políticas públicas de inclusão que garantam o direito constitucional à educação independentemente da faixa etária do cidadão.

O que esperar

Com a conclusão dos estudos básicos, a nova escritora planeja agora os detalhes para o lançamento oficial de sua obra. O objetivo de Maria é incentivar outros adultos e idosos de Sousa e região a buscarem o ambiente escolar. Ela afirma que o conhecimento foi a maior conquista de sua vida e que a idade nunca deve ser vista como um impedimento para a realização de sonhos intelectuais.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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