Aposentados em SP transformam leitura em missão dentro de presídios
Idosos voluntários atuam como mediadores de leitura em penitenciárias de Ribeirão Preto e Jardinópolis, promovendo ressocialização através da literatura.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 01 de novembro de 2026 às 11:283 min de leitura

Iniciativa de voluntariado na região de Ribeirão Preto utiliza a literatura como ferramenta de ressocialização e combate ao isolamento na terceira idade.
Um grupo de aposentados no interior de São Paulo está redefinindo o conceito de ocupação na terceira idade ao levar o universo dos livros para dentro do sistema carcerário. Atuando como mediadores de leitura, voluntários como Carlos Girotto, de 67 anos, e Odete Vital, de 72 anos, visitam unidades prisionais em Ribeirão Preto e Jardinópolis para compartilhar experiências literárias com detentos, transformando o ambiente prisional em um espaço de reflexão e aprendizado.
Transformação através das páginas
Para muitos desses voluntários, a atividade representa um recomeço pessoal. Carlos Girotto, que decidiu retomar os estudos acadêmicos após os 60 anos, encontrou na mediação de leitura uma forma de aplicar seus conhecimentos e contribuir com a sociedade. O trabalho consiste em orientar os internos na interpretação de textos e na produção de resenhas, que são fundamentais para os processos de remissão de pena pela leitura, conforme previsto na legislação brasileira.
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O impacto emocional é visível tanto para quem ensina quanto para quem aprende. Odete Vital relata que o voluntariado foi o caminho para superar quadros de depressão e o sentimento de isolamento comum após a aposentadoria. Ao cruzar os portões das penitenciárias, ela afirma que a troca de experiências com os detentos oferece uma nova perspectiva de vida, reforçando que o acesso à cultura é um direito fundamental que permite ao indivíduo vislumbrar um futuro diferente fora do crime.
O papel da mediação no sistema prisional
As atividades ocorrem em unidades como a Penitenciária de Ribeirão Preto e o Centro de Progressão Penitenciária de Jardinópolis. Os mediadores não apenas entregam livros, mas provocam debates sobre os temas abordados nas obras, incentivando o pensamento crítico. De acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), programas que envolvem a participação da sociedade civil são essenciais para reduzir os índices de reincidência criminal e humanizar o cumprimento das sentenças.
Os detentos que participam dos clubes de leitura são desafiados a ler uma obra por mês e escrever um relatório que comprove a compreensão do conteúdo. A presença dos idosos traz um componente de respeito e acolhimento, criando um ambiente de confiança que raramente é encontrado no cotidiano carcerário. Para os voluntários, a "nova profissão" exige dedicação constante e atualização sobre novos títulos e metodologias de ensino.
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Contexto
A Lei de Execução Penal permite que o preso diminua sua condenação por meio do estudo e do trabalho. No caso da leitura, cada obra lida pode representar a redução de quatro dias de pena, com um limite de até 12 livros por ano, totalizando 48 dias de remissão. Projetos que integram idosos e o sistema prisional têm ganhado força no Estado de São Paulo como política pública de integração geracional e apoio à saúde mental da população idosa.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que o incentivo à educação é um dos pilares mais eficazes para a reintegração social. Ao ocupar o tempo ocioso com literatura de qualidade, o sistema busca oferecer ferramentas intelectuais para que o egresso consiga novas oportunidades no mercado de trabalho após ganhar a liberdade.
Próximos passos
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A expectativa das coordenações pedagógicas das unidades prisionais é expandir o número de voluntários para atender a demanda crescente de internos interessados nos clubes de leitura. O sucesso da iniciativa em Ribeirão Preto serve de modelo para outras regiões do país, demonstrando que a experiência de vida dos aposentados pode ser o combustível necessário para transformar a realidade de quem busca uma segunda chance através da educação.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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