Baleia e filhote são perseguidos por motos aquáticas em Florianópolis
Incidente na Praia Mole gera revolta e alerta sobre crimes ambientais. Banhistas em jet skis cercaram animais, violando normas de proteção aos cetáceos.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 14:263 min de leitura

Ação ilegal de condutores de motos aquáticas coloca em risco vida marinha e pode resultar em sanções criminais severas em Santa Catarina.
Um registro em vídeo flagrou o momento em que uma baleia e seu filhote foram perseguidos por banhistas a bordo de motos aquáticas na Praia Mole, em Florianópolis. O episódio, registrado nesta semana, mostra os veículos motorizados se aproximando excessivamente dos animais, desrespeitando as normas de distanciamento e segurança ambiental vigentes em águas brasileiras. As imagens evidenciam a tentativa dos cetáceos de se afastarem da perturbação sonora e física causada pelos equipamentos.
A dinâmica da perseguição no mar
De acordo com as imagens capturadas por frequentadores da região, ao menos dois condutores de jet skis realizaram manobras bruscas para se aproximar dos mamíferos. A Polícia Militar Ambiental alerta que o comportamento configura uma grave infração, pois o barulho dos motores e a proximidade física geram um estresse extremo nos animais, especialmente no filhote, que ainda possui mobilidade reduzida e depende totalmente da proteção materna para sobreviver e se alimentar durante a migração.
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Testemunhas que estavam na areia da Praia Mole relataram que a aproximação foi deliberada e durou vários minutos. Especialistas em biologia marinha explicam que, ao serem cercadas, as baleias podem alterar suas rotas naturais, o que aumenta o risco de encalhes ou colisões com embarcações. Em Santa Catarina, a presença de baleias-franca e outras espécies é comum nesta época do ano, exigindo uma postura de contemplação passiva e nunca de interação forçada por parte de turistas.
Implicações jurídicas e crimes ambientais
A legislação brasileira é rigorosa quanto à proteção de cetáceos. Conforme a Lei Federal nº 7.643/87, é proibido o molestamento intencional de qualquer espécie de baleia ou golfinho nas águas jurisdicionais do Brasil. A pena para quem descumpre a norma pode chegar a cinco anos de prisão, além do pagamento de multas que variam conforme a gravidade do dano causado à fauna. A Marinha do Brasil e os órgãos ambientais podem ainda apreender as embarcações utilizadas no ato ilícito.
Autoridades ambientais reiteram que a distância mínima permitida para observação é de 100 metros com os motores desligados ou em neutro. Avançar com velocidade em direção aos grupos de baleias é considerado um agravante. A fiscalização na costa de Florianópolis deve ser intensificada após o compartilhamento das imagens nas redes sociais, visando identificar os responsáveis através das matrículas das motos aquáticas visíveis nos registros feitos por populares.
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Contexto
O litoral de Santa Catarina serve como um berçário natural para diversas espécies migratórias. Entre os meses de julho e novembro, a região recebe um grande contingente de animais que buscam águas mais quentes e calmas para a reprodução e o cuidado com os filhotes. O turismo de observação é uma atividade econômica importante para o Estado, mas deve seguir protocolos rígidos para garantir que a presença humana não interfira no ciclo biológico natural desses mamíferos.
Episódios de assédio a animais marinhos têm crescido com a popularização de veículos recreativos potentes. Em anos anteriores, incidentes similares em Imbituba e Garopaba resultaram em autuações pesadas e processos judiciais contra proprietários de barcos e motonautas. A conscientização dos usuários de embarcações de lazer é o principal desafio para as entidades que atuam na preservação da biodiversidade marinha no Sul do país.
O que esperar
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As autoridades competentes agora trabalham na análise das imagens para a qualificação dos envolvidos e a aplicação das penalidades administrativas e criminais cabíveis. Espera-se que o caso sirva de exemplo para reforçar a necessidade de respeito aos limites da vida selvagem. Campanhas de educação ambiental devem ser reforçadas nas marinas e clubes náuticos de Florianópolis para evitar que novos incidentes de perseguição coloquem em xeque a segurança das baleias que visitam o litoral catarinense.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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