Baleia-franca semialbina rara é avistada no litoral de Santa Catarina
Um exemplar fêmea raríssimo de baleia-franca com coloração cinza e manchas escuras foi registrado em Imbituba, SC, marcando um evento biológico histórico.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 10 de agosto de 2026 às 04:013 min de leitura

Fenômeno biológico atrai atenção de pesquisadores em Imbituba após registro de animal com coloração atípica em área de preservação.
Uma rara baleia-franca semialbina foi avistada e filmada nas águas de Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, durante o monitoramento da temporada reprodutiva da espécie. O registro, realizado nesta semana, ganha contornos históricos por se tratar de uma fêmea, a única com essa condição genética específica catalogada na região desde o início dos registros sistemáticos em 1987. O animal apresenta uma coloração predominantemente cinza clara com manchas escuras, diferindo do padrão negro convencional da espécie.
O monitoramento no berçário natural
O avistamento ocorreu em uma área estratégica conhecida como o principal berçário natural das baleias-francas no Brasil. Especialistas que acompanham a migração anual notaram que a fêmea exibe uma mutação que, embora não seja albinismo total, resulta em uma pigmentação fragmentada. De acordo com os protocolos de conservação, a presença deste exemplar em Santa Catarina é um indicativo da saúde do ecossistema local, permitindo que indivíduos com variações genéticas raras consigam completar seu ciclo migratório a partir da Antártida.
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Características da condição semialbina
Diferente dos indivíduos completamente brancos, que costumam escurecer com a idade, as baleias semialbinas mantêm esse tom acinzentado por toda a vida. A Polícia Militar Ambiental e órgãos de proteção monitoram a área para garantir que a embarcações mantenham a distância mínima de 100 metros, protegendo o bem-estar do animal. A fêmea foi vista interagindo com outros indivíduos, o que reforça que a anomalia na cor não prejudica sua integração social ou capacidade reprodutiva dentro do grupo.
Importância para a ciência
Para a comunidade científica, o reaparecimento de uma fêmea com essas características após 37 anos é um dado valioso para o mapeamento genético da população de baleias-francas australis. O acompanhamento visual permite identificar se este gene será transmitido para futuras gerações na costa catarinense. Pesquisadores destacam que, desde a década de 80, o esforço de preservação na APA da Baleia Franca tem sido fundamental para o aumento gradual do número de avistamentos, que hoje chegam a centenas a cada temporada entre julho e novembro.
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Contexto
A baleia-franca (*Eubalaena australis*) quase foi extinta devido à caça predatória no século passado, mas encontrou nas águas rasas e calmas de Santa Catarina um refúgio seguro para o nascimento de seus filhotes. A cidade de Imbituba é considerada a capital nacional da espécie, atraindo turistas e biólogos de todo o mundo. O registro de espécimes raros, como as brancas ou semialbinas, ocorre em menos de 1% da população mundial, tornando cada aparição um evento de relevância global para a biologia marinha.
Próximos passos
As equipes de campo devem continuar o rastreamento visual da fêmea nos próximos dias para verificar se ela está acompanhada de um filhote ou em processo de acasalamento. As imagens coletadas serão integradas a um catálogo internacional de fotoidentificação, ajudando a monitorar a longevidade e as rotas de viagem deste exemplar específico pelos oceanos do Hemisfério Sul.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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