Bermuda no trabalho: Campanha em Tóquio gera debate sobre etiqueta e assédio
O governo de Tóquio incentiva homens a abandonarem o terno e gravata por roupas leves, mas a medida enfrenta resistência cultural e polêmica sobre higiene.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 06:493 min de leitura

Iniciativa do governo metropolitano busca modernizar o código de vestimenta masculino para enfrentar o calor extremo, mas esbarra em tradições rígidas.
O governo metropolitano de Tóquio lançou oficialmente uma campanha para incentivar que trabalhadores do sexo masculino substituam o tradicional terno e gravata por vestimentas mais casuais, como bermudas, camisetas e tênis. A medida, que visa o conforto térmico durante os meses de altas temperaturas no Japão, gerou uma onda de debates sobre o que é considerado profissional e levantou discussões inusitadas sobre a exposição de pelos corporais no ambiente corporativo.
A modernização do guarda-roupa corporativo
A proposta das autoridades de Tóquio faz parte de um esforço contínuo para reduzir o consumo de energia com ar-condicionado e melhorar o bem-estar dos funcionários. Historicamente, o trabalhador japonês é conhecido pela rigidez no vestuário, mas o governo defende que a adaptação é necessária diante das mudanças climáticas. A recomendação é que as empresas adotem políticas mais flexíveis, permitindo que o visual esportivo e leve ganhe espaço nos escritórios da capital japonesa.
Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores
A polêmica visual e o conceito de assédio
O ponto mais controverso da campanha não é o conforto, mas a estética. Setores mais conservadores da sociedade japonesa e especialistas em etiqueta expressaram desconforto com a exposição das pernas masculinas. Surgiu, inclusive, o termo assédio por pelos, utilizado por críticos que consideram a visão de pernas peludas em reuniões formais uma quebra de decoro ou uma falta de consideração visual com os colegas. Essa resistência cultural mostra que, para muitos no Japão, a formalidade do terno ainda é um pilar de respeito mútuo.
Reação das empresas e dos funcionários
Enquanto algumas gigantes da tecnologia e startups em Shinjuku e Shibuya abraçaram a ideia, setores financeiros e jurídicos permanecem céticos. Pesquisas de opinião locais indicam que 45% dos homens ainda se sentem inseguros em usar bermudas por medo de julgamentos de superiores. Por outro lado, defensores da medida argumentam que a saúde física deve prevalecer sobre normas sociais datadas, especialmente quando os termômetros ultrapassam os 35 graus Celsius com alta umidade.
Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores
Contexto
Essa não é a primeira vez que o Japão tenta reformar o vestuário de trabalho. Desde 2005, o programa Cool Biz incentiva a dispensa do paletó e da gravata no verão. No entanto, a inclusão da bermuda eleva o debate a um novo patamar de informalidade que o país nunca experimentou plenamente. O governo japonês tem metas ambiciosas de sustentabilidade e vê na redução do uso de refrigeração artificial um passo crucial para atingir os objetivos ambientais de 2030.
O que esperar
O sucesso da medida dependerá da adesão das lideranças empresariais e de uma possível mudança na percepção de higiene e estética masculina. Analistas acreditam que a tendência é de uma flexibilização gradual, possivelmente acompanhada por um aumento no mercado de estética masculina, com homens buscando depilação ou tratamentos para se adequarem à nova realidade das bermudas no escritório. O governo de Tóquio deve monitorar a aceitação da campanha até o final do verão.
Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores
Fique por dentro do nosso canal no WhatsApp Bs1.online
Comentários (0)
Entre para deixar um comentário.
Carregando...