Botos-cor-de-rosa são encontrados mortos em área de mata no Amapá
Mãe e filhote da espécie ameaçada foram localizados em região de difícil acesso entre Macapá e Santana. Iepa investiga causas da morte dos animais.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 07:133 min de leitura

Morte de espécimes de boto-cor-de-rosa em zona de transição ambiental acende alerta para preservação da fauna amazônica no litoral amapaense.
Uma fêmea adulta e um filhote de boto-cor-de-rosa foram encontrados mortos nesta semana em uma região de vegetação densa e difícil acesso situada entre os bairros Vale Verde e Araxá, no estado do Amapá. O achado mobilizou especialistas ambientais que agora tentam identificar o que teria provocado o óbito simultâneo dos animais, que pertencem a uma das espécies mais emblemáticas e vulneráveis da bacia amazônica.
Localização e resgate dos corpos
O encontro dos animais ocorreu em uma área de mata de várzea, onde o acesso por terra é limitado e a navegação depende diretamente do regime das marés. De acordo com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), os corpos estavam próximos um do outro, o que reforça a hipótese de um evento súbito ou de uma fatalidade que atingiu o núcleo familiar. A remoção dos restos mortais exigiu uma logística complexa devido às condições geográficas do terreno alagadiço.
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Perícia e investigação técnica
Os biólogos e técnicos do Iepa iniciaram os procedimentos de necropsia para determinar se as mortes foram causadas por fatores naturais, doenças ou intervenção humana. Não foram descartadas, inicialmente, possibilidades como o emalhamento em redes de pesca clandestinas ou a contaminação da água. Os especialistas coletaram amostras de tecidos para exames laboratoriais detalhados, uma vez que a preservação do boto-cor-de-rosa é prioritária para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas fluviais da região Norte.
Impacto ambiental e monitoramento
A perda de uma fêmea reprodutora e seu filhote é considerada um golpe severo para a população local de cetáceos. Agentes de fiscalização ambiental reforçaram que a área entre o Vale Verde e o Araxá é monitorada, mas a extensão da malha hídrica dificulta o combate a práticas predatórias. A análise dos órgãos ambientais também deve verificar se houve variações anormais na temperatura da água ou baixa oxigenação nos canais secundários do Rio Amazonas, fenômenos que têm sido registrados em outros pontos da Amazônia.
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Contexto
O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) é classificado atualmente como uma espécie em perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). No Amapá, esses animais enfrentam ameaças crescentes devido à urbanização desordenada, ao descarte irregular de resíduos e à poluição sonora causada pelo intenso tráfego de embarcações. Historicamente, incidentes envolvendo a fauna marinha e fluvial na zona costeira de Macapá costumam ser investigados com rigor para evitar o declínio das colônias residentes.
Próximos passos
O laudo definitivo sobre as causas das mortes deve ser divulgado pelo Iepa nas próximas semanas. Enquanto aguardam os resultados, autoridades ambientais do Amapá planejam intensificar as rondas preventivas na região para identificar possíveis atividades de pesca ilegal ou descarte de poluentes que possam colocar em risco outros grupos de mamíferos aquáticos que habitam as proximidades da capital.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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