Política

Brasil reduz insegurança alimentar e se mantém fora do Mapa da Fome da ONU

Novo relatório das Nações Unidas confirma queda na insegurança alimentar severa no Brasil, consolidando a permanência do país fora do Mapa da Fome em 2024.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 18:003 min de leitura

Brasil reduz insegurança alimentar e se mantém fora do Mapa da Fome da ONU
Resumo em 10 segundos

Relatório internacional aponta queda expressiva na desnutrição crônica e consolida avanços nas políticas públicas de combate à miséria no território nacional.

O Brasil apresentou uma melhora significativa em seus índices de segurança alimentar e permanece fora do Mapa da Fome pelo segundo ano consecutivo, conforme dados divulgados nesta terça-feira (21) pela Organização das Nações Unidas (ONU). O levantamento destaca que a prevalência da insegurança alimentar severa no país caiu para 3,9% no período entre 2021 e 2023, refletindo o impacto direto da retomada de programas sociais e do controle inflacionário sobre os itens da cesta básica.

Avanços nos indicadores sociais

Os novos números revelam que cerca de 14,7 milhões de brasileiros deixaram a condição de insegurança alimentar severa nos últimos anos. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a redução é fruto de uma combinação entre o fortalecimento do Bolsa Família e o aumento real do salário mínimo, que ampliaram o poder de compra das camadas mais vulneráveis da população. O país havia retornado ao vergonhoso índice em 2022, mas a reversão da tendência aponta para uma estabilidade estrutural no acesso a alimentos.

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O impacto das políticas públicas

Especialistas do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social afirmam que a estratégia de busca ativa por famílias invisibilizadas pelo Estado foi crucial para este resultado. O investimento em merenda escolar e o apoio à agricultura familiar também foram citados como pilares que garantiram a oferta de comida de qualidade nas regiões mais remotas, como o Norte e o Nordeste brasileiro. A meta do governo federal é reduzir a insegurança alimentar para níveis abaixo de 2% até o final de 2026.

Desafios na qualidade da nutrição

Embora o volume de calorias disponíveis tenha aumentado, o relatório alerta para a transição nutricional. O consumo de alimentos ultraprocessados ainda é alto, o que pode gerar um paradoxo de saúde pública: a convivência da desnutrição em bolsões isolados com o aumento da obesidade em áreas urbanas. Autoridades de saúde defendem que o próximo passo deve ser o incentivo ao consumo de alimentos in natura, combatendo não apenas a fome, mas a má nutrição que onera o Sistema Único de Saúde (SUS).

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Contexto

O Mapa da Fome é um indicador global que monitora países onde mais de 2,5% da população enfrenta falta crônica de alimentos. O Brasil havia saído da lista pela primeira vez em 2014, mas retrocedeu durante a pandemia de Covid-19 e a crise econômica subsequente. A recuperação atual coloca o país em uma posição de liderança regional na América Latina, servindo de modelo para nações vizinhas que ainda lutam contra a carestia e o desabastecimento.

O que esperar

Para os próximos meses, o foco das autoridades brasileiras será a consolidação da Rede Brasileira de Bancos de Alimentos e a ampliação das cozinhas solidárias. A continuidade da queda nos índices depende da manutenção do crescimento econômico e da estabilidade dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional. O monitoramento contínuo da ONU servirá como termômetro para validar se as reformas estruturais implementadas serão resilientes a futuras crises globais.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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