Brasileiras denunciam médico por deformidades após plásticas na Colômbia

Pacientes relatam infecções graves e descaso em clínica colombiana. Caso é investigado pela Polícia Civil do DF após denúncias contra o médico Guillermo Gomez.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 10 de agosto de 2026 às 02:003 min de leitura

Brasileiras denunciam médico por deformidades após plásticas na Colômbia
Resumo em 10 segundos

Grupo de mulheres busca justiça após sofrer complicações severas em procedimentos estéticos realizados em Cali.

Uma série de denúncias graves envolvendo cirurgias plásticas realizadas na Colômbia mobiliza as autoridades brasileiras nesta semana. Pelo menos três mulheres registraram boletins de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal relatando terem sido vítimas de negligência médica, infecções generalizadas e resultados deformantes após passarem por intervenções na Clínica Remodelarte, sob a responsabilidade do médico Guillermo Andres Gonzalez Gomez.

Relatos de descaso e dor

As pacientes narram que foram atraídas por pacotes que prometiam resultados de alta performance com custos reduzidos em comparação ao mercado brasileiro. No entanto, o que deveria ser a realização de um sonho se tornou um pesadelo de saúde pública. Uma das denunciantes, que prefere não ser identificada, relatou que desenvolveu uma infecção por micobactéria logo após retornar ao Brasil, necessitando de internação urgente em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela afirma que o suporte oferecido pela equipe colombiana foi insuficiente diante da gravidade do quadro clínico apresentado.

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Outra vítima descreve que, além das cicatrizes profundas, o atendimento pós-operatório na Clínica Remodelarte foi marcado pela precariedade. Segundo o depoimento prestado na Delegacia de Polícia, as orientações médicas eram genéricas e não consideravam os sinais de alerta que surgiram nos primeiros dias após a lipoaspiração e a abdominoplastia. O grupo de brasileiras agora se organiza para formalizar uma denúncia internacional, buscando responsabilizar o cirurgião Guillermo Gomez pelas sequelas físicas e psicológicas causadas.

A defesa do profissional

Em resposta aos questionamentos sobre as condutas adotadas, a administração da Clínica Remodelarte e a defesa de Guillermo Andres Gonzalez Gomez negam qualquer irregularidade nos procedimentos. Representantes da unidade hospitalar em Cali sustentam que todas as normas sanitárias e protocolos cirúrgicos internacionais foram rigorosamente seguidos. A clínica alega ainda que complicações infecciosas podem ocorrer em qualquer ato cirúrgico e que as pacientes receberam as orientações necessárias para o período de recuperação, atribuindo parte dos problemas a fatores biológicos individuais ou falta de cuidados pós-operatórios por parte das pacientes.

Contexto

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O fenômeno do chamado turismo estético tem crescido entre brasileiras que buscam países vizinhos para realizar cirurgias de grande porte. A Colômbia é um dos destinos mais procurados devido ao câmbio favorável e ao marketing agressivo de clínicas em redes sociais. Contudo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) frequentemente emitem alertas sobre os riscos de operar fora do país, onde a fiscalização sobre os profissionais pode ser menos rigorosa e o acompanhamento presencial em caso de intercorrências torna-se logisticamente impossível.

Especialistas alertam que o tratamento de infecções contraídas em ambiente hospitalar estrangeiro pode ser extremamente complexo, pois muitas vezes envolvem bactérias multirresistentes. No caso das pacientes brasilienses, o custo para remediar os danos já ultrapassa o triplo do valor investido inicialmente nas cirurgias feitas no exterior, evidenciando o perigo de priorizar o baixo custo em detrimento da segurança hospitalar.

O que esperar

A Polícia Civil informou que os depoimentos serão anexados a um inquérito que pode ser compartilhado com a Interpol e com o Ministério das Relações Exteriores. O objetivo é que as autoridades colombianas também iniciem uma investigação administrativa sobre a licença de atuação de Guillermo Gomez. As vítimas agora passam por perícias no Instituto de Medicina Legal (IML) para comprovar a extensão dos danos corporais e sustentar o pedido de reparação na justiça.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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