Câncer de intestino: 66% dos brasileiros ignoram exame preventivo vital
Pesquisa revela que maioria da população desconhece teste de sangue oculto, essencial para detectar tumores precocemente e elevar chances de cura a 90%.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 06:183 min de leitura

Estudo aponta que desinformação sobre métodos diagnósticos impede tratamento precoce e reduz chances de sobrevivência contra tumores colorretais.
Uma pesquisa inédita realizada pelo Hospital A.C.Camargo em parceria com a Nexus revelou um cenário alarmante sobre a saúde pública no Brasil. Segundo o levantamento, dois em cada três brasileiros desconhecem a existência do exame que detecta sangue oculto nas fezes, um dos principais métodos para o diagnóstico precoce do câncer de intestino. A falta de informação atinge a maioria da população em um momento em que a incidência da doença cresce entre diferentes faixas etárias no país.
O abismo do desconhecimento preventivo
Os dados obtidos pela sondagem mostram que a desinformação é um dos maiores obstáculos para o controle da doença em território nacional. O teste de sangue oculto, que é simples e de baixo custo, permite identificar lesões precursoras antes mesmo que o paciente apresente sintomas graves. De acordo com especialistas do A.C.Camargo, quando a patologia é descoberta em seus estágios iniciais, a probabilidade de cura supera os 90%, transformando o exame em uma ferramenta estratégica para reduzir a mortalidade.
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O levantamento destaca que a falta de familiaridade com o procedimento não está restrita a apenas uma classe social, embora o acesso à saúde varie. A resistência ou o simples desconhecimento sobre a necessidade de realizar o rastreamento a partir dos 45 anos contribui para que muitos casos sejam descobertos apenas em fases avançadas. A comunidade médica alerta que, sem a realização periódica de exames preventivos, o tratamento torna-se mais agressivo e as estatísticas de sobrevida diminuem drasticamente.
A importância do diagnóstico precoce
Além do exame de sangue oculto, a colonoscopia segue como o padrão-ouro para a avaliação do trato intestinal, mas a triagem inicial pelo teste de fezes é considerada fundamental para o sistema público de saúde. O Ministério da Saúde recomenda que a vigilância seja intensificada, especialmente para quem possui histórico familiar. O câncer colorretal é, atualmente, um dos tumores mais frequentes entre homens e mulheres no Brasil, perdendo apenas para o câncer de próstata e de mama, respectivamente.
Os médicos reforçam que a presença de sangue nas fezes, muitas vezes invisível a olho nu, pode indicar a existência de pólipos, que são pequenos crescimentos na parede do intestino. Se removidos precocemente, esses pólipos deixam de evoluir para um tumor maligno. O estudo da Nexus reforça a urgência de campanhas de conscientização que desmistifiquem o exame e incentivem a população a procurar as Unidades Básicas de Saúde para realizar o rastreamento preventivo anual.
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Contexto
O câncer de intestino tem apresentado uma tendência de crescimento no estilo de vida ocidental, muito associado ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, carne vermelha e ao sedentarismo. Nos últimos anos, observou-se um aumento de casos em pacientes com menos de 50 anos, o que levou sociedades médicas internacionais e nacionais a reduzirem a idade recomendada para o início dos exames de rotina.
No cenário brasileiro, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que surgirão milhares de novos casos no próximo triênio. O grande desafio das autoridades sanitárias é converter o conhecimento técnico em prática cotidiana para a população, uma vez que a barreira do preconceito e do medo em relação aos exames colorretais ainda é elevada em diversas regiões do Brasil.
O que esperar
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Diante dos resultados da pesquisa, espera-se uma mobilização maior de órgãos de saúde e entidades do terceiro setor para promover a literacia em saúde. A meta é garantir que o teste de sangue oculto se torne tão reconhecido quanto a mamografia ou o exame de PSA. O fortalecimento das políticas de prevenção primária é a única via para frear o avanço da doença e garantir que os 90% de chance de cura sejam uma realidade para a maioria dos pacientes diagnosticados no país.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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