Caso Gustavo: Mãe revela histórico de ameaças e abandono durante gestação
Em depoimento à Polícia Civil, Sabrina Feitosa detalhou conflitos e chantagens do pai do menino Gustavo, preso com a madrasta sob suspeita de homicídio.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 19:504 min de leitura

Relato aponta que o convívio entre os pais da criança era marcado por violência psicológica e falta de suporte financeiro desde antes do nascimento.
A mãe do pequeno Gustavo, Sabrina Feitosa, prestou um depoimento contundente à Polícia Civil nesta semana, revelando que o relacionamento com o pai da criança, hoje principal suspeito do crime, foi pautado por agressões verbais e ameaças de morte desde o período gestacional. O homem e a madrasta do menino encontram-se detidos preventivamente, após investigações apontarem indícios de envolvimento direto na morte da criança, um caso que chocou a opinião pública pela brutalidade e pelo histórico de vulnerabilidade da vítima.
O histórico de conflitos e chantagens
Segundo as declarações colhidas pelo delegado responsável pelo inquérito, Sabrina Feitosa descreveu um cenário de completo abandono financeiro por parte do genitor. Durante o depoimento, ela relatou que, ao descobrir a gravidez, o homem teria reagido com hostilidade, recusando-se a prestar qualquer auxílio básico. O dossiê da investigação aponta que as chantagens eram frequentes e visavam desestabilizar a mãe emocionalmente, utilizando a guarda e as visitas ao menor como moeda de troca para exercer controle sobre a ex-companheira.
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As autoridades destacam que as ameaças de morte não eram episódios isolados. A mãe afirmou que o suspeito demonstrava um comportamento possessivo e violento, chegando a afirmar que ela se arrependeria caso buscasse os direitos legais da criança na Justiça. Esse clima de medo teria perdurado por anos, culminando no trágico desfecho que levou à prisão do casal. A Polícia Civil agora cruza as informações do depoimento com perícias técnicas realizadas no local onde o corpo foi encontrado e nos aparelhos celulares apreendidos.
A linha de investigação policial
Com base nos fatos narrados, a equipe de investigação trabalha com a hipótese de crime premeditado. O delegado afirmou que o comportamento do pai e da madrasta nos dias que antecederam o óbito reforça a tese de maus-tratos severos. Testemunhas vizinhas à residência dos suspeitos também foram ouvidas e corroboraram relatos de gritos e choros constantes vindos do imóvel. A prisão preventiva foi mantida pelo Poder Judiciário para garantir a ordem pública e impedir que os envolvidos interfiram na coleta de provas.
Os laudos do Instituto Médico Legal (IML) são peças fundamentais para o fechamento do inquérito. Os peritos buscam identificar marcas de agressões anteriores que possam configurar uma rotina de tortura física contra o menino Gustavo. A defesa dos acusados nega as agressões e sustenta a tese de fatalidade, porém, as contradições nos depoimentos iniciais do casal fortaleceram o pedido de detenção feito pelo Ministério Público.
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Contexto
Casos de violência doméstica que evoluem para o infanticídio frequentemente apresentam sinais prévios de alerta, como o abandono afetivo e a violência psicológica contra a mãe. No Brasil, o registro de crimes contra crianças no ambiente familiar tem mobilizado as forças de segurança para a criação de protocolos mais rígidos de proteção. O caso de Gustavo reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas quando há um histórico de ameaças não formalizadas anteriormente perante a Delegacia da Mulher.
Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que o perfil dos agressores em situações semelhantes envolve, em sua maioria, parentes de primeiro grau ou responsáveis diretos. A ausência de uma rede de apoio e o medo de represálias são apontados por especialistas como os principais fatores que impedem a denúncia precoce de ameaças de morte e abusos financeiros, perpetuando ciclos de violência que podem terminar em tragédia.
O que esperar
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O inquérito deve ser concluído nos próximos 30 dias, com o indiciamento formal dos suspeitos por homicídio qualificado. A Polícia Civil aguarda o resultado final da necropsia para detalhar a causa exata da morte e se houve omissão de socorro. Enquanto isso, o suporte psicológico à mãe, Sabrina Feitosa, está sendo acompanhado por órgãos de assistência social do município, enquanto a sociedade aguarda por justiça diante de um crime que interrompeu precocemente a vida de uma criança.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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