Caso Matsunaga e Samudio: TCC sobre violência de gênero viraliza

Estudo jurídico analisa a frase 'Antes Elize do que Eliza' para discutir a percepção de mulheres brasileiras sobre legítima defesa e o sistema de justiça.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 04:003 min de leitura

Caso Matsunaga e Samudio: TCC sobre violência de gênero viraliza
Resumo em 10 segundos

Pesquisa acadêmica utiliza crimes de grande repercussão para analisar o sentimento de vulnerabilidade feminina diante do sistema jurídico nacional.

Uma pesquisa de conclusão de curso da estudante de Direito Clara Souza, de 22 anos, tornou-se o centro de um debate acadêmico e social intenso nas redes sociais nesta semana. O trabalho investiga a origem e o significado da expressão "Antes Elize do que Eliza", uma frase que circula em fóruns digitais comparando os desfechos fatais de dois dos crimes mais notórios do Brasil: o caso de Elize Matsunaga, que assassinou o marido, e o de Eliza Samudio, vítima de feminicídio. A análise busca entender como o medo da violência doméstica molda a percepção de justiça entre as mulheres.

A análise do fenômeno social

Segundo o estudo desenvolvido pela acadêmica, a frase que dá título ao trabalho não é uma apologia ao crime, mas um fenômeno sociológico que reflete o desamparo estatal. A autora argumenta que a escolha do nome de Elize Matsunaga representa a mulher que, no limite da violência, reage contra o agressor, enquanto o nome de Eliza Samudio simboliza a vítima que, mesmo buscando ajuda e denunciando, acaba morta e com o corpo desaparecido. Para a pesquisadora, o bordão viral é um grito de sobrevivência em um país onde os índices de feminicídio permanecem em patamares alarmantes.

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O papel do sistema jurídico

O desenvolvimento da tese aponta falhas estruturais no Poder Judiciário e na rede de proteção à mulher. A pesquisa destaca que, no caso ocorrido em 2010 envolvendo o goleiro Bruno, houve uma clara negligência das autoridades diante das denúncias prévias feitas pela vítima. Em contrapartida, o crime de 2012 na capital paulista é utilizado no estudo para debater a legítima defesa e as circunstâncias de abusos psicológicos que antecedem atos extremos. Clara Souza defende que a sociedade passou a utilizar essa comparação para evidenciar que muitas mulheres preferem enfrentar a prisão a serem enterradas por seus companheiros.

Impacto e repercussão acadêmica

A viralização do tema gerou discussões entre juristas e especialistas em Direito Penal. O trabalho utiliza dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública para contextualizar a realidade das delegacias da mulher no país. A autora reforça que a expressão analisada é um sintoma de uma sociedade que não oferece garantias de vida para quem decide denunciar. O estudo pretende servir como base para futuras discussões sobre como o Estado pode intervir antes que a situação chegue ao ponto de não retorno, evitando que novas tragédias ocorram em ambos os espectros analisados.

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Contexto

O caso de Eliza Samudio chocou o país pelo requinte de crueldade e pela dificuldade em localizar os restos mortais da vítima, evidenciando a brutalidade do feminicídio. Já o caso de Elize Matsunaga levantou debates sobre o que leva uma mulher sem antecedentes criminais a cometer um ato de violência extrema contra o cônjuge. Ambos os episódios são marcos no estudo da criminologia brasileira e frequentemente citados em teses sobre relações de poder e gênero.

Historicamente, o Brasil ocupa posições vergonhosas em rankings internacionais de violência contra a mulher. A implementação da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio foram avanços significativos, mas a aplicação prática dessas normas ainda enfrenta barreiras culturais e institucionais, o que justifica a análise da pesquisadora sobre o sentimento de insegurança que permeia o imaginário feminino contemporâneo.

O que esperar

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A expectativa é que a pesquisa de Clara Souza seja publicada em revistas científicas da área jurídica, fomentando a revisão de protocolos de atendimento a mulheres em situação de risco. O debate iniciado nas redes sociais deve migrar para as salas de aula, onde a eficácia das medidas protetivas e a psicologia criminal serão reavaliadas sob a ótica desse novo fenômeno de identificação social.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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