Ciclone deixa cidades do RS sem energia e isoladas há quatro dias
Santa Vitória do Palmar e Chuí enfrentam crise após ventos de 90 km/h derrubarem torres de energia na Lagoa Mirim. Milhares seguem dependentes de geradores.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 10 de agosto de 2026 às 09:083 min de leitura

Colapso na infraestrutura elétrica afeta serviços essenciais e mobiliza equipes de emergência na fronteira com o Uruguai.
Os municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí, localizados no Extremo Sul do Rio Grande do Sul, completam nesta quinta-feira o quarto dia consecutivo com o fornecimento de energia elétrica severamente comprometido. O apagão, que atinge cerca de 38 mil moradores, foi desencadeado pela passagem de um ciclone extratropical que atingiu a região com rajadas de vento superiores a 90 km/h, provocando a queda de torres de alta tensão em uma área de difícil acesso.
O impacto da destruição na Lagoa Mirim
A interrupção do serviço ocorreu após o vendaval derrubar estruturas metálicas localizadas dentro da Lagoa Mirim. A localização das torres dificulta o trabalho das equipes de engenharia, que dependem de condições climáticas favoráveis e embarcações especiais para realizar o içamento e a substituição dos equipamentos. De acordo com a concessionária de energia, a complexidade da logística em meio ao terreno alagado impede uma previsão exata para a normalização total do sistema, embora centenas de técnicos tenham sido deslocados para o local.
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Cidades operam sob regime de emergência
Sem a rede principal, a rotina nas duas cidades foi drasticamente alterada. O comércio e os serviços essenciais, como hospitais e postos de combustíveis, estão operando de forma limitada através de geradores de grande porte. No entanto, o fornecimento de água tratada e os serviços de telefonia e internet apresentaram instabilidade severa, deixando parte da população incomunicável. A prefeitura de Santa Vitória do Palmar monitora a distribuição de combustível para garantir que os motores a diesel não parem de funcionar nos pontos críticos.
Prejuízos econômicos e desabastecimento
O setor produtivo da região já contabiliza perdas significativas. Supermercados relatam a perda de produtos perecíveis e o setor arrozeiro, forte na economia local, enfrenta dificuldades para manter as operações básicas. Moradores relatam que a falta de eletricidade afetou o armazenamento de alimentos em residências, gerando uma corrida aos estabelecimentos que ainda possuem estoque e energia própria. A Defesa Civil Estadual acompanha o caso e coordena a entrega de mantimentos para famílias em situação de vulnerabilidade.
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Contexto
O Rio Grande do Sul tem enfrentado uma sequência de eventos climáticos extremos nos últimos meses, evidenciando a fragilidade da rede de transmissão em áreas remotas. A região do Extremo Sul, por sua característica geográfica plana e proximidade com grandes massas de água, é naturalmente mais exposta a ventos de alta velocidade. Histórica e economicamente estratégica por fazer fronteira com o Uruguai, a zona afetada depende de uma única linha principal de transmissão, o que torna qualquer avaria nas torres da Lagoa Mirim um problema de segurança pública.
O que esperar
A prioridade das autoridades é o restabelecimento da conectividade e do bombeamento de água para 100% das residências. Espera-se que, com a diminuição da força dos ventos, as balsas consigam posicionar as novas estruturas metálicas nos próximos dias. Enquanto isso, o Exército Brasileiro e a Brigada Militar reforçam o patrulhamento nas áreas comerciais para evitar incidentes durante o período noturno, uma vez que a iluminação pública permanece inexistente na maior parte das vias urbanas.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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