Cientistas de SC lideram expedição robótica a 4,5 mil metros no Atlântico
Pesquisadores catarinenses iniciam missão inédita rumo à costa da África para explorar o fundo do mar com robô mergulhador e transmissões em tempo real.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 04:003 min de leitura

Missão tecnológica brasileira busca mapear ecossistemas desconhecidos e recursos minerais em águas profundas no trajeto entre a América e a África.
Uma equipe de pesquisadores de Santa Catarina iniciou nesta semana uma das mais ambiciosas missões oceanográficas da história do estado. O grupo, liderado por especialistas da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), embarcou rumo ao Oceano Atlântico Sul para conduzir explorações em profundidades que atingem 4,5 mil metros. O objetivo central é utilizar um robô mergulhador de última geração para mapear regiões abissais nunca antes visitadas pelo homem, buscando compreender a biodiversidade e a geologia do leito marinho entre o Brasil e o continente africano.
Tecnologia de ponta no abismo
A operação conta com o suporte de um Veículo Operado Remotamente (ROV), capaz de suportar pressões extremas onde a luz solar não alcança. De acordo com a equipe técnica da expedição, o equipamento está equipado com câmeras de alta definição e braços mecânicos para a coleta de amostras de solo e organismos. A grande inovação do projeto é a capacidade de realizar transmissões ao vivo dos mergulhos, permitindo que a comunidade científica internacional e o público em geral acompanhem as descobertas em tempo real através de plataformas digitais.
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Mapeamento de recursos e biodiversidade
Os cientistas focam seus esforços em áreas conhecidas como montes submarinos e planícies abissais. Segundo os coordenadores da Univali, o mapeamento é essencial para identificar novas espécies marinhas e entender a dinâmica das correntes oceânicas que influenciam o clima global. Além disso, a expedição avalia a presença de nódulos polimetálicos e outros recursos minerais que possuem alto valor estratégico. A jornada deve durar cerca de 30 dias, atravessando a crista mesoatlântica até as proximidades da costa da África.
Impacto para a ciência nacional
Este projeto coloca o Brasil em um patamar elevado na pesquisa oceanográfica mundial. A coleta de dados em profundidades de 4,5 quilômetros exige uma logística complexa e um investimento pesado em engenharia subaquática. Para os pesquisadores envolvidos, a missão não é apenas uma busca por curiosidades biológicas, mas uma necessidade de soberania e conhecimento sobre o patrimônio marinho. Os dados obtidos serão compartilhados com órgãos ambientais e integrados a bancos de dados globais sobre o aquecimento dos oceanos.
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Contexto
A exploração do mar profundo ainda é considerada a última fronteira do conhecimento humano na Terra. Estima-se que menos de 20% do assoalho oceânico tenha sido mapeado com precisão. Iniciativas como esta, lideradas por instituições de Santa Catarina, são fundamentais para o avanço da chamada Economia Azul, que busca o uso sustentável dos recursos oceânicos para o crescimento econômico e a preservação de ecossistemas.
Historicamente, o Atlântico Sul tem sido menos explorado que o Norte, o que torna cada amostra coletada nesta missão um item de valor inestimável para a geologia e a biologia marinha. O uso de robôs subaquáticos substitui a necessidade de mergulhos tripulados perigosos, garantindo maior tempo de permanência no fundo do mar e precisão cirúrgica na coleta de dados científicos.
Próximos passos
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Após o retorno da embarcação, os materiais coletados passarão por uma triagem rigorosa nos laboratórios em Itajaí. A expectativa é que a análise completa das amostras e das centenas de horas de vídeo leve pelo menos dois anos para ser concluída. Os resultados preliminares, no entanto, devem ser apresentados em congressos internacionais ainda no segundo semestre de 2024, consolidando o protagonismo catarinense na ciência oceânica.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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