Copasa discute novos contratos com prefeituras do Sul de Minas Gerais

Privatização da Copasa motiva reuniões em Pouso Alegre para definir o futuro do saneamento básico e investimentos na região até o ano de 2073.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 13:143 min de leitura

Copasa discute novos contratos com prefeituras do Sul de Minas Gerais
Resumo em 10 segundos

Empresa busca segurança jurídica com municípios mineiros diante do processo de desestatização estadual.

A diretoria da Copasa iniciou uma série de rodadas de negociação com lideranças do Sul de Minas para tratar do futuro das concessões de água e esgoto. O encontro central ocorreu em Pouso Alegre, onde a gestão municipal avalia a possibilidade de estender o vínculo contratual com a companhia até o ano de 2073. A movimentação ocorre em um momento estratégico, enquanto o Governo de Minas Gerais avança com os planos de privatização da estatal, o que exige a repactuação de metas e garantias de atendimento para as próximas décadas.

Exigências de investimentos em Pouso Alegre

Durante as reuniões técnicas, o governo municipal de Pouso Alegre condicionou a renovação da outorga a um cronograma rigoroso de novos investimentos. A administração local exige que a Copasa apresente soluções definitivas para gargalos históricos no abastecimento e, principalmente, na expansão da rede de tratamento de dejetos. A meta é garantir que a infraestrutura urbana acompanhe o crescimento populacional da maior cidade da região, que tem atraído diversos distritos industriais e novos loteamentos residenciais nos últimos anos.

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Representantes da prefeitura destacaram que a assinatura de um aditivo contratual de 50 anos só será viabilizada se houver cláusulas que punam a empresa em caso de descumprimento de prazos. O foco principal está na universalização do saneamento, conforme previsto no Marco Legal do Saneamento Básico, que estabelece metas rígidas para 2033. Para os gestores municipais, a privatização não pode significar a precarização do serviço ou o aumento abusivo de tarifas para o consumidor final.

O impacto da privatização no Sul de Minas

A estratégia da Copasa visa blindar a carteira de clientes antes que o controle acionário seja transferido para a iniciativa privada. No Sul de Minas, dezenas de municípios possuem contratos que vencem nos próximos anos, e a renovação antecipada garante um valor de mercado mais elevado para a companhia durante o leilão. Por outro lado, prefeitos da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Sapucaí (AMESP) buscam formar uma frente unida para barganhar melhorias no atendimento rural e a redução de perdas na rede de distribuição, que ainda são elevadas em cidades de pequeno porte.

Contexto

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O debate sobre a desestatização da Copasa ganhou força após o envio de projetos de lei à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que visam flexibilizar a venda de estatais mineiras. Atualmente, a empresa atende mais de 600 municípios no estado, mas enfrenta críticas recorrentes sobre a qualidade da recomposição asfáltica após obras e a demora na manutenção de redes rompidas. O Governo do Estado argumenta que a venda é necessária para atrair capital privado e acelerar obras que a capacidade pública atual não consegue suportar.

Historicamente, o Sul de Minas representa uma das regiões mais rentáveis para a companhia devido à densidade demográfica e ao parque industrial ativo. Contratos longos, como o proposto de meio século, são vistos por especialistas do setor como uma forma de garantir estabilidade tarifária, desde que as agências reguladoras, como a Arsae-MG, atuem de forma independente na fiscalização do cumprimento das metas estabelecidas nos novos documentos.

O que esperar

Nos próximos dias, novas audiências públicas devem ser convocadas em Pouso Alegre e cidades vizinhas para apresentar os detalhes técnicos dos planos de investimento da Copasa. O desfecho dessas negociações servirá de termômetro para outras regiões do estado, definindo se a privatização terá o apoio das prefeituras ou se haverá uma tendência de municipalização dos serviços ou abertura de novas licitações para empresas concorrentes no mercado de saneamento.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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