Cratera de Colônia: Estudo da USP confirma impacto de asteroide em SP
Pesquisadores da USP identificam minerais que comprovam impacto de asteroide na Cratera de Colônia, em Parelheiros, onde bairro abriga 25 mil moradores.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 16:503 min de leitura

Evidências geológicas inéditas confirmam que a depressão circular no extremo sul da capital paulista foi moldada por um evento catastrófico espacial.
Geólogos da Universidade de São Paulo (USP) encontraram a prova definitiva de que o bairro de Parelheiros, localizado na zona sul de São Paulo, está situado dentro de uma cratera formada pela queda de um asteroide. A descoberta, realizada por meio de análises microscópicas de sedimentos colhidos no local, encerra uma dúvida científica que perdurava por mais de seis décadas sobre a origem da formação geológica conhecida como Cratera de Colônia.
A prova científica do impacto
O grupo de pesquisadores identificou, pela primeira vez, grãos de zircão que apresentam marcas características de choque térmico e mecânico extremo. De acordo com o Instituto de Geociências da USP, essas deformações microscópicas só ocorrem sob condições de pressão e temperatura que não existem naturalmente na crosta terrestre, sendo exclusivas de impactos de corpos celestes. O estudo detalhado revelou que o mineral foi submetido a uma força avassaladora, consolidando a região como um dos raros registros de impacto em solo brasileiro.
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Uma cidade dentro da cratera
A Cratera de Colônia possui um diâmetro de aproximadamente 3,6 quilômetros e é cercada por colinas que se elevam a até 120 metros de altura em relação ao seu centro. O que torna o local único no mundo é a ocupação humana: estima-se que cerca de 25 mil pessoas residam atualmente dentro da área do impacto. O bairro, que começou a ser povoado por imigrantes alemães no século XIX, cresceu sobre uma camada de sedimentos que pode chegar a 400 metros de profundidade, preservando um registro histórico do clima e da biodiversidade da Mata Atlântica.
Importância para a ciência mundial
As amostras coletadas a centenas de metros abaixo do nível do solo funcionam como uma cápsula do tempo. Segundo os especialistas envolvidos na pesquisa, o preenchimento da cratera ocorreu de forma contínua ao longo de milhões de anos, o que permite estudar as mudanças climáticas desde o período Quaternário. A confirmação do impacto coloca a capital paulista no mapa internacional da geologia, atraindo o interesse de instituições estrangeiras para o estudo da evolução da vida e das transformações ambientais na América do Sul.
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Contexto
A estrutura foi identificada originalmente na década de 1960 por meio de fotos aéreas que revelaram o formato circular perfeito da região. Desde então, diversas expedições foram realizadas, mas a ausência de fragmentos do objeto espacial dificultava a comprovação definitiva. A Cratera de Colônia é protegida por órgãos de patrimônio histórico e ambiental, como o Condephaat, devido à sua relevância científica e à presença de nascentes que alimentam o reservatório Billings.
O que esperar
Com a confirmação factual do impacto, a tendência é que o monitoramento geológico na zona sul de São Paulo seja intensificado para garantir a preservação do sítio. Além disso, novas etapas da pesquisa da USP devem focar na datação precisa do evento, que estima-se ter ocorrido entre 5 e 36 milhões de anos atrás. O reconhecimento oficial pode impulsionar o turismo científico e educativo em Parelheiros, transformando a percepção dos moradores sobre o solo onde vivem.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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