Crise energética em Cuba: rotina da população é marcada por apagões
Colapso no sistema elétrico cubano força moradores a mudarem hábitos básicos de sobrevivência em meio a falta de luz constante e escassez de recursos.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 04:003 min de leitura

Moradores da ilha enfrentam dificuldades extremas para conservar alimentos e manter comunicações básicas diante da instabilidade na rede.
A rotina em Cuba sofreu uma transformação drástica nas últimas semanas devido ao colapso sistêmico da infraestrutura energética do país. Sem um cronograma confiável de abastecimento, milhões de cubanos tentam adaptar suas vidas a um cenário de escuridão prolongada, onde tarefas simples, como carregar um celular ou manter a comida refrigerada, tornaram-se desafios logísticos monumentais. O impacto atinge desde a capital, Havana, até as províncias mais afastadas, paralisando o comércio e serviços essenciais.
O cotidiano na escuridão
Para a população local, a falta de energia não representa apenas o desligamento de luzes, mas a interrupção da cadeia de subsistência. Em diversas residências, o principal temor é a perda de proteínas e vegetais estocados com dificuldade, já que as geladeiras permanecem desligadas por mais de 18 horas diárias. Famílias relatam que a solução tem sido cozinhar grandes quantidades de comida de uma só vez utilizando carvão ou lenha, uma vez que os fogões elétricos, amplamente distribuídos pelo governo em anos anteriores, tornaram-se inúteis.
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Impacto na economia e saúde
O setor produtivo da ilha opera em ritmo mínimo, com pequenos negócios fechando as portas por falta de refrigeração e iluminação. De acordo com relatos colhidos em centros urbanos, a comunicação com parentes no exterior também foi prejudicada, pois as torres de telefonia dependem da rede elétrica. A situação é agravada pelo calor intenso, que impede o sono adequado e aumenta a incidência de picadas de insetos, elevando a preocupação com doenças como a dengue e o Oropouche, monitoradas pelas autoridades sanitárias locais.
Infraestrutura obsoleta e falta de combustível
Especialistas apontam que o sistema elétrico cubano sofre de um sucateamento crônico. As centrais termelétricas, como a unidade Antonio Guiteras, a maior do país, operam além de sua vida útil e sofrem com a falta de peças de reposição. Além disso, a redução drástica no fornecimento de petróleo bruto por parte de países aliados deixou as usinas sem o combustível necessário para gerar carga total, resultando em um déficit energético que ultrapassa frequentemente os mil megawatts nos horários de pico.
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Contexto
Esta crise energética é considerada uma das mais graves desde o chamado Período Especial na década de 1990. A combinação de sanções econômicas internacionais, a queda no turismo pós-pandemia e a infraestrutura envelhecida criou uma tempestade perfeita. Em 2024, a situação se agravou com a passagem de fenômenos climáticos que danificaram ainda mais as linhas de transmissão, deixando províncias inteiras em blecaute total por dias consecutivos.
O que esperar
O governo cubano anunciou medidas emergenciais para tentar estabilizar a rede, incluindo o aluguel de geradores flutuantes de empresas estrangeiras e a tentativa de recuperação gradual das plantas termelétricas. No entanto, a solução definitiva depende de investimentos vultosos em energias renováveis e na modernização da rede, algo que ainda parece distante da realidade financeira da ilha. Enquanto isso, a população segue em estado de alerta, dependendo de soluções improvisadas para atravessar as noites sem luz.
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