Crise no BRB: GDF critica Governo Federal e pede audiência no STF
Celina Leão rebate críticas do Ministério da Fazenda e cobra liberação de R$ 6,6 bilhões para o BRB. Impasse sobre rombo financeiro segue travado na Justiça.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 16:334 min de leitura

Vice-governadora do Distrito Federal rebate críticas do Ministério da Fazenda sobre suposta politização e exige agilidade em socorro bilionário para o banco público.
A crise financeira que atinge o Banco de Brasília (BRB) ganhou novos capítulos nesta semana com o acirramento da disputa entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a União. A vice-governadora Celina Leão reagiu duramente às declarações de membros do Ministério da Fazenda, afirmando que a tentativa de politizar o debate técnico é um erro estratégico que prejudica a instituição. O impasse gira em torno de um aporte necessário para cobrir um rombo de R$ 6,6 bilhões, originado por operações ligadas ao antigo Banco Master.
O impasse sobre o socorro bilionário
O centro do conflito reside na necessidade de um empréstimo de grande porte para estabilizar as contas da instituição financeira brasiliense. De acordo com o GDF, a gestão federal tem demonstrado inércia em cumprir acordos previamente sinalizados, o que levou a administração local a buscar uma nova audiência de conciliação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). A intenção é que a corte máxima do país medie a liberação dos recursos, uma vez que o fluxo de caixa do banco depende dessa autorização para mitigar o impacto das perdas financeiras acumuladas.
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Por outro lado, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, manifestou preocupação com a forma como o tema vem sendo conduzido publicamente. Em resposta, Celina Leão destacou que o foco deveria ser a saúde fiscal do BRB e a proteção dos correntistas, e não a troca de farpas entre gestores. A vice-governadora defende que a solução passe por critérios estritamente técnicos, embora reconheça que a demora na definição dos valores coloca em risco a capacidade de investimento do Distrito Federal em áreas essenciais.
Acusações de inércia e pressão jurídica
Na petição enviada ao STF, o governo local aponta que o Governo Federal não tem agido com a celeridade necessária para finalizar o processo de capitalização. O documento reforça que o rombo deixado pelo Caso Master é uma herança que precisa de saneamento imediato para evitar um efeito cascata no sistema bancário regional. A cifra de R$ 6,6 bilhões é considerada vital para que o BRB mantenha seus índices de liquidez dentro das normas exigidas pelo Banco Central.
Enquanto o crédito segue travado, a diretoria do banco e representantes da Procuradoria-Geral do Distrito Federal tentam acelerar as tratativas técnicas. A resistência da Fazenda em liberar o montante sem contrapartidas rígidas gerou um mal-estar que agora transbordou para o campo político. Para o GDF, cada dia de atraso no repasse representa um aumento nos custos financeiros da operação, o que pode agravar ainda mais o déficit orçamentário da capital federal no próximo semestre.
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Contexto
O Banco de Brasília vem enfrentando dificuldades estruturais desde que operações de crédito complexas realizadas em gestões anteriores geraram prejuízos vultosos. O caso mais emblemático envolve a relação com o Banco Master, cujos desdobramentos financeiros forçaram o banco público a buscar auxílio externo. Desde o início de 2024, as negociações entre o governador Ibaneis Rocha e a equipe econômica do governo federal têm sido marcadas por idas e vindas, sem um consenso definitivo sobre as garantias do empréstimo.
Historicamente, o BRB atua como o principal braço de fomento econômico do Distrito Federal, sendo responsável pelo pagamento da folha salarial dos servidores públicos e pela concessão de crédito imobiliário e rural na região. A instabilidade na instituição gera preocupação não apenas no setor político, mas também no mercado financeiro, que observa atentamente a capacidade de intervenção do Tesouro Nacional em bancos estaduais sob estresse fiscal.
O que esperar
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Nos próximos dias, a expectativa é que o ministro relator do caso no STF decida sobre o pedido de audiência urgente solicitado pelo GDF. Caso a reunião seja confirmada, representantes da União e do Distrito Federal deverão apresentar um cronograma definitivo para a liberação dos R$ 6,6 bilhões. Se não houver acordo, a disputa pode se prolongar por meses, obrigando o banco a adotar medidas de contenção de gastos ainda mais severas para preservar seu patrimônio líquido.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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