Crise no transporte em Manaus: Dívida de R$ 90 milhões ameaça passe livre
Sindicato das empresas de ônibus em Manaus alerta para colapso no sistema e risco ao benefício estudantil devido a atrasos em repasses da prefeitura.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 11:013 min de leitura

Empresas de ônibus alegam inviabilidade financeira e apontam risco imediato à gratuidade para estudantes da capital amazonense.
O sistema de transporte público de Manaus enfrenta uma crise sem precedentes que coloca em xeque a manutenção do passe livre estudantil. Nesta terça-feira, 21 de maio, o sindicato que representa as concessionárias revelou um déficit acumulado de R$ 90 milhões em repasses que deveriam ter sido efetuados pelo poder público. O anúncio ocorre em um momento de extrema tensão, apenas um dia após uma paralisação da categoria dos rodoviários que travou as principais vias da cidade.
Déficit financeiro e operação reduzida
De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), o montante milionário em aberto compromete diretamente a compra de combustível e o pagamento de fornecedores essenciais. As empresas alegam que o valor da tarifa técnica não está sendo integralmente coberto, o que gera um desequilíbrio no fluxo de caixa. Diante da iminência de um colapso, a Justiça do Amazonas interveio para garantir que ao menos 80% da frota circule nos horários de pico, visando minimizar o impacto para os usuários que dependem diariamente dos coletivos.
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Impacto direto aos estudantes
A maior preocupação da população recai sobre o benefício da gratuidade. O passe livre, que atende milhares de alunos das redes municipal e estadual, depende exclusivamente dos subsídios governamentais para continuar operando. O sindicato patronal enfatizou que, sem a regularização dos R$ 90 milhões, torna-se impossível sustentar a gratuidade sem comprometer a folha de pagamento dos motoristas e cobradores, que já ameaçam novas paralisações caso os salários e benefícios sofram atrasos no próximo mês.
Decisão judicial e cumprimento de frota
Após a mobilização dos trabalhadores que paralisou terminais na segunda-feira, a Prefeitura de Manaus e o governo estadual passaram a ser pressionados para mediar o conflito. A liminar vigente estabelece multas pesadas para o descumprimento da circulação mínima, mas as empresas argumentam que a falta de recursos líquidos impede o cumprimento total das metas operacionais. A Polícia Militar e agentes de trânsito seguem monitorando as garagens para assegurar que o serviço não seja totalmente interrompido, enquanto as negociações de bastidores se intensificam no Paço Municipal.
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Contexto
O transporte coletivo de Manaus historicamente enfrenta desafios estruturais e renovações de frota que não acompanham o crescimento da demanda urbana. O subsídio para o passe livre foi uma promessa consolidada para aliviar o custo de vida das famílias, mas a dependência de repasses diretos do tesouro municipal torna o sistema vulnerável a oscilações políticas e econômicas. Em anos anteriores, crises similares resultaram em intervenções diretas na gestão das empresas para evitar o locaute.
Próximos passos
Uma reunião de emergência entre representantes do Sinetram, a Secretaria Municipal de Finanças e o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) deve ocorrer ainda esta semana. O objetivo é estabelecer um cronograma de pagamentos para abater a dívida de R$ 90 milhões e garantir que o benefício dos estudantes não seja suspenso. Caso não haja acordo, o sindicato não descarta recorrer novamente ao judiciário para revisar os termos do contrato de concessão na capital amazonense.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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