Crise no transporte: Greve de ônibus em Manaus chega ao terceiro dia
Rodoviários mantêm paralisação em Manaus por atrasos salariais. Justiça do Trabalho determina frota mínima de 80% nos horários de pico para atender usuários.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 06:353 min de leitura
Atrasos salariais motivam mobilização da categoria e passageiros enfrentam longas esperas nos terminais da capital amazonense.
A paralisação dos rodoviários em Manaus entrou no seu terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira, afetando diretamente a rotina de milhares de usuários do transporte público. O movimento, motivado pelo não pagamento integral de vencimentos, mantém a circulação de veículos de forma parcial em todas as zonas da cidade. De acordo com a Justiça do Trabalho, as empresas concessionárias e o sindicato da categoria devem garantir que ao menos 80% da frota circule nos horários de maior demanda, enquanto nos períodos de entrepico o funcionamento deve ser de 50%.
Impasse financeiro e operação reduzida
O estopim para a interrupção do serviço foi o descumprimento do calendário de pagamentos por parte das empresas que operam o sistema na capital do Amazonas. Os trabalhadores alegam que benefícios e salários estão em atraso, o que impossibilita a continuidade plena das atividades. Durante as primeiras horas da manhã, o fluxo de passageiros nos Terminais de Integração (T1 a T5) foi marcado por aglomerações e tempo de espera superior a 40 minutos, superando a média habitual de operação do sistema viário.
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Fiscalização e cumprimento de liminar
Para tentar amenizar o impacto aos cidadãos, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) intensificou a fiscalização nas garagens e nos principais corredores de ônibus, como a Avenida Constantino Nery e a Avenida Max Teixeira. A prefeitura busca monitorar se as empresas estão cumprindo a cota mínima estabelecida judicialmente. O descumprimento da liminar que exige o percentual de veículos nas ruas pode acarretar em multas diárias que ultrapassam os R$ 50 mil por cada dia de irregularidade detectada pela fiscalização municipal.
Impacto na economia local
A falta de previsibilidade no transporte público já reflete em outros setores da cidade. O comércio do centro histórico e os polos industriais relataram atrasos de funcionários e redução na circulação de consumidores. Representantes de entidades de classe manifestaram preocupação com a extensão do movimento, uma vez que a Região Metropolitana de Manaus depende quase exclusivamente do modal rodoviário para o deslocamento de sua força de trabalho. Até o momento, não houve um acordo definitivo entre o Sindicato dos Rodoviários e o sindicato patronal para a quitação total dos débitos.
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Contexto
O sistema de transporte de Manaus atravessa um período de instabilidade financeira recorrente nos últimos anos. A gestão municipal tem aportado subsídios milionários para tentar manter o valor da tarifa congelado, porém, as empresas alegam que o custo operacional subiu drasticamente com a alta do diesel e a necessidade de renovação da frota. Essa não é a primeira vez em 2024 que a categoria ameaça ou executa paralisações por falta de repasses financeiros adequados.
O que esperar
Uma nova rodada de negociações está prevista para ocorrer nas próximas horas mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Caso não haja um cronograma de pagamento apresentado pelas empresas até o final do dia, a categoria não descarta manter a operação reduzida por tempo indeterminado. A população deve continuar atenta aos canais oficiais de monitoramento para verificar a disponibilidade de linhas específicas antes de se deslocar aos terminais.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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