Crivella: Justiça do Rio ordena retomada de ação por publicidade ilegal

O ex-prefeito Marcelo Crivella volta a ser alvo de investigação judicial por suposto uso de canais oficiais da Prefeitura do Rio para promoção pessoal.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 16:343 min de leitura

Crivella: Justiça do Rio ordena retomada de ação por publicidade ilegal
Resumo em 10 segundos

Tribunal de Justiça fluminense decide que processo por improbidade administrativa deve seguir tramitando para apurar uso político de redes governamentais.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, enfrentará novamente o banco dos réus em uma ação que investiga o uso indevido da máquina pública. Em decisão recente, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) determinou a retomada de um processo que questiona a utilização de canais oficiais e verbas de publicidade da Prefeitura do Rio para fins de promoção pessoal durante o mandato do político. A medida reverte uma paralisação anterior e obriga a continuidade da instrução processual para apurar se houve dano ao erário ou violação dos princípios da administração pública.

A decisão do Tribunal de Justiça

Os magistrados do TJ-RJ entenderam que não cabe o arquivamento precoce da matéria, uma vez que existem indícios que justificam uma investigação mais aprofundada. A decisão não entra no mérito da culpa de Marcelo Crivella, mas sustenta que o judiciário deve processar as provas apresentadas sobre o possível desvio de finalidade em postagens e campanhas publicitárias. O foco central da denúncia é a confusão entre a figura do gestor e a instituição pública, o que é vedado pela Constituição Federal no artigo que trata da impessoalidade.

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Suposta promoção pessoal em foco

O cerne da investigação aponta que, entre os anos de 2017 e 2020, o então prefeito teria utilizado as redes sociais institucionais e outros meios de comunicação custeados pelos cofres municipais para exaltar sua própria imagem e suas crenças pessoais. Segundo os autos, o conteúdo divulgado frequentemente ultrapassava o caráter informativo ou educativo, transformando-se em ferramenta de marketing político direto. A acusação sustenta que essa prática configura improbidade administrativa, podendo resultar em sanções como a suspensão de direitos políticos e multas pesadas.

Defesa e trâmites processuais

A defesa do ex-prefeito tem alegado que todas as postagens realizadas durante a gestão tinham caráter meramente informativo e de prestação de contas à sociedade carioca. No entanto, o entendimento da Corte Fluminense é de que apenas o prosseguimento da ação permitirá determinar se houve dolo ou uso excessivo de recursos para autopromoção. Com a retomada, o processo volta à fase de coleta de depoimentos e análise técnica de materiais audiovisuais e peças publicitárias produzidas pela Secretaria Municipal de Comunicação da época.

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Contexto

Este não é o único desafio jurídico enfrentado pelo ex-gestor. Marcelo Crivella já foi alvo de outras investigações, incluindo o caso que ficou conhecido como QG da Propina, que chegou a resultar em sua prisão preventiva em dezembro de 2020, poucos dias antes de encerrar seu mandato. A pressão sobre o uso das redes sociais governamentais cresceu nos últimos anos, com o Ministério Público intensificando a fiscalização sobre como prefeitos e governadores interagem com o eleitorado através de perfis oficiais.

A legislação brasileira é rigorosa quanto ao gasto com publicidade institucional, especialmente em anos eleitorais. O Tribunal de Contas do Município (TCM) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) têm monitorado de perto a aplicação de verbas que, somadas, chegam a milhões de reais anualmente, garantindo que o dinheiro do contribuinte não seja desviado para construir carreiras políticas individuais.

O que esperar

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Com a decisão do TJ-RJ, o processo retorna à primeira instância para o cumprimento das diligências necessárias. Caso seja condenado ao final do rito processual, Marcelo Crivella poderá ser obrigado a ressarcir o tesouro municipal pelos valores gastos nas campanhas consideradas irregulares. O desfecho do caso servirá como um importante precedente para a gestão pública no Rio de Janeiro, reforçando os limites entre a comunicação de governo e a propaganda política pessoal.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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