Cuiabá registra 17% de umidade e lidera ranking de ar mais seco do país
Capital mato-grossense atinge níveis críticos de ressecamento atmosférico nesta quinta-feira (6). Especialistas alertam para riscos severos à saúde e incêndios.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 11:153 min de leitura

Capital de Mato Grosso entra em estado de alerta após atingir níveis críticos de umidade relativa do ar, superando todas as demais sedes estaduais brasileiras.
A cidade de Cuiabá registrou, nesta quinta-feira (6), o índice de 17% de umidade relativa do ar, consolidando-se como a capital mais seca do Brasil no período. O monitoramento meteorológico aponta que o volume de vapor d'água na atmosfera local está severamente abaixo dos 60% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O fenômeno atinge não apenas a região metropolitana, mas se estende por diversas cidades do interior de Mato Grosso, que também figuram na lista de localidades sob estresse climático.
Impactos do clima desértico na saúde
Com a marca de 17%, a capital mato-grossense entra no que especialistas classificam como estado de alerta. Esse cenário é caracterizado pelo ar extremamente seco, que dificulta a dispersão de poluentes e agrava doenças respiratórias crônicas como asma, rinite e bronquite. Profissionais de saúde recomendam a ingestão constante de líquidos e a suspensão de atividades físicas ao ar livre entre as 10h e as 17h, período em que a radiação solar intensifica o desconforto térmico e a desidratação.
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De acordo com a Defesa Civil, a baixa umidade também provoca o ressecamento de mucosas, irritação nos olhos e episódios de sangramento nasal. O uso de umidificadores de ar e toalhas molhadas em ambientes internos é uma das estratégias sugeridas para amenizar o impacto do clima. A situação é agravada pela ausência de chuvas significativas na região do Centro-Oeste, que enfrenta um bloqueio atmosférico impedindo a chegada de frentes frias vindas do sul do continente.
Riscos de queimadas e degradação ambiental
Além dos prejuízos diretos à população, o índice registrado em Cuiabá eleva drasticamente o risco de incêndios florestais. A vegetação nativa, já castigada pela estiagem, torna-se combustível fácil para qualquer foco de ignição. O Corpo de Bombeiros mantém vigilância redobrada, uma vez que a combinação de baixa umidade, altas temperaturas e ventos moderados pode transformar pequenos focos em grandes incêndios de difícil controle em poucos minutos.
As autoridades ambientais reforçam que a queima de lixo urbano ou limpeza de terrenos com fogo é considerada crime ambiental, passível de multas pesadas e detenção. Em Mato Grosso, a fiscalização tem sido intensificada em áreas de preservação e no entorno das rodovias, onde a visibilidade dos motoristas pode ser comprometida pela fumaça, aumentando o perigo de acidentes graves nas estradas estaduais e federais.
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Contexto
Historicamente, o período entre junho e setembro marca a temporada de seca severa no Brasil Central. No entanto, a antecipação de índices abaixo de 20% logo no início do mês de junho acende um sinal amarelo para o planejamento urbano e ambiental. Comparativamente, a umidade em Cuiabá nesta data assemelha-se a climas de regiões desérticas, superando cidades que tradicionalmente sofrem com a falta de chuva, como Brasília e Teresina.
O fenômeno é potencializado por sistemas de alta pressão que estacionam sobre a região central do país, impedindo a formação de nuvens de chuva. Esse padrão meteorológico tem se tornado mais frequente e intenso nos últimos anos, o que especialistas ligam às mudanças climáticas globais e ao desmatamento progressivo em biomas como o Cerrado e a Amazônia, que influenciam diretamente no ciclo de chuvas do continente.
O que esperar
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As previsões meteorológicas indicam que a massa de ar seco deve permanecer sobre o estado de Mato Grosso nos próximos dias, sem previsão de precipitações volumosas. A tendência é que os índices de umidade continuem oscilando entre 15% e 25% durante as tardes, exigindo atenção contínua dos órgãos de monitoramento e da população. A recomendação é manter a hidratação e evitar a exposição direta ao sol nos horários de pico de calor.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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