Cupuaçu impulsiona economia agrícola em Presidente Figueiredo apesar de praga
Produção de cupuaçu em Presidente Figueiredo alcança 165 toneladas, garantindo renda para famílias rurais mesmo com os desafios da vassoura-de-bruxa no Amazonas.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 10:033 min de leitura

Avanço do cultivo da fruta amazônica sustenta economia rural no interior do Amazonas mesmo diante de desafios fitossanitários.
O município de Presidente Figueiredo, conhecido por seu potencial ecoturístico, consolida-se também como um polo agrícola relevante com a produção de cupuaçu. Atualmente, a cultura mobiliza 98 agricultores locais, que dedicam uma área total de 55 hectares ao plantio do fruto. Mesmo enfrentando a pressão biológica da vassoura-de-bruxa, fungo que ataca as plantações, a colheita referente ao biênio de 2025 e 2026 atingiu a marca expressiva de 165 toneladas de frutos brutos.
Produtividade e processamento da polpa
A eficiência no campo reflete-se diretamente no beneficiamento do produto. Das toneladas colhidas, a Secretaria Municipal de Agricultura estima que foram extraídas aproximadamente 63 toneladas de polpa pura. Este volume é essencial para abastecer o mercado regional, sendo utilizado na fabricação de doces, sorvetes e cosméticos. O aproveitamento da polpa é o principal motor financeiro para as famílias de Presidente Figueiredo, permitindo que a economia agrícola circule de forma independente das flutuações do setor de serviços.
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O desafio da vassoura-de-bruxa
O principal obstáculo para a expansão da cultura continua sendo a vassoura-de-bruxa, uma doença causada pelo fungo *Moniliophthora perniciosa*. A praga provoca deformações nos ramos e reduz drasticamente a capacidade produtiva das árvores. Para mitigar as perdas, os produtores têm investido em técnicas de poda de limpeza e na seleção de variedades mais resistentes. A persistência dos 98 agricultores cadastrados demonstra a resiliência do setor, que busca no manejo técnico a solução para manter a viabilidade dos 55 hectares produtivos.
Apoio técnico e suporte ao produtor
De acordo com a Secretaria Municipal de Agricultura, o acompanhamento técnico é fundamental para garantir que a safra de 2026 mantenha os números positivos. O suporte envolve desde a distribuição de insumos até a orientação sobre o controle de pragas. A meta é garantir que o cupuaçu continue sendo a base do sustento para as comunidades rurais, minimizando o impacto da redução de área cultivada causada por surtos anteriores da doença. O foco agora reside na verticalização da produção, agregando valor ao fruto processado.
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Contexto
O estado do Amazonas historicamente luta contra doenças que afetam espécies do gênero *Theobroma*, o mesmo do cacau e do cupuaçu. A vassoura-de-bruxa dizimou plantações inteiras no Brasil nas últimas décadas, exigindo uma reestruturação completa da cadeia produtiva. Em Presidente Figueiredo, a adaptação dos produtores às novas realidades climáticas e biológicas tem sido o diferencial para evitar o abandono das terras e garantir a segurança alimentar e financeira da região.
O que esperar
Para os próximos ciclos, a expectativa das autoridades locais é de estabilização da produção e possível expansão da área plantada, caso as medidas de contenção do fungo apresentem eficácia prolongada. O fortalecimento da cooperativa de produtores e o escoamento para a capital, Manaus, são vistos como passos cruciais para que o cupuaçu de Presidente Figueiredo ganhe ainda mais espaço no cenário nacional.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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