Desconexão lucrativa: O mercado que cresce com a fuga das telas

Cresce a busca por experiências analógicas e retiros offline no Brasil. Entenda como o desejo de desacelerar impulsiona vendas de vinil e câmeras de filme.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 09:384 min de leitura

Desconexão lucrativa: O mercado que cresce com a fuga das telas
Resumo em 10 segundos

Empreendedores brasileiros lucram com a crescente demanda por produtos e serviços que promovem o distanciamento do ambiente digital e das redes sociais.

Um movimento de resistência ao excesso de estímulos virtuais tem ganhado força nos grandes centros urbanos do Brasil em 2024. Consumidores de diversas faixas etárias estão investindo valores consideráveis para retomar o contato com o mundo físico, impulsionando a venda de discos de vinil, câmeras fotográficas analógicas e a frequência em estabelecimentos que proíbem o uso de smartphones. O fenômeno, apelidado de "desintoxicação digital", deixou de ser um nicho comportamental para se tornar um pilar econômico robusto em setores de lazer e tecnologia retrô.

A renascença do objeto físico

O mercado de entretenimento registra uma virada surpreendente com a valorização do que é tangível. Lojas especializadas em São Paulo e no Rio de Janeiro relatam um aumento de 40% na procura por vitrolas e LPs no último semestre. Segundo especialistas em comportamento de consumo, o ato de manusear um encarte e ouvir um álbum do início ao fim sem interrupções de notificações representa um luxo em uma era de algoritmos e playlists infinitas. Esse desejo de controle sobre o próprio tempo tem atraído especialmente a Geração Z, que busca autenticidade em processos que exigem paciência e atenção plena.

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O boom das experiências sem sinal

No setor de serviços, a tendência é ainda mais radical. Hotéis e retiros no interior de Minas Gerais e Santa Catarina estão comercializando pacotes de "silêncio digital", onde o hóspede entrega o aparelho celular no check-in. O faturamento dessas propriedades cresceu 25% desde o ano passado, revelando que o brasileiro está disposto a pagar mais para estar inacessível. Em capitais como Curitiba, bares e cafés começam a adotar políticas de desconto na conta para grupos que mantêm os aparelhos guardados em caixas lacradas durante toda a permanência no local, priorizando a conversa presencial.

A fotografia química como refúgio

Outro setor que renasceu das cinzas foi o da fotografia com filme. Laboratórios de revelação que operavam no limite da sobrevivência há uma década agora enfrentam filas de espera. O custo de um rolo de filme de 36 poses pode ultrapassar os R$ 100,00, mas o valor não inibe os entusiastas. A justificativa dos usuários é a busca pela imperfeição e pela surpresa, contrastando com a cultura da edição excessiva e dos filtros instantâneos das redes sociais. De acordo com dados de importação, a entrada de insumos para fotografia química no país teve o seu maior pico desde o início da era dos smartphones.

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Contexto

A hiperconectividade tem sido associada por órgãos de saúde a níveis elevados de ansiedade e burnout. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o uso compulsivo de dispositivos eletrônicos pode comprometer a saúde mental e a qualidade do sono. Diante desse cenário, o mercado reagiu criando alternativas que funcionam como um contraponto ao imediatismo. O termo FOMO (medo de estar perdendo algo) está sendo gradualmente substituído pelo JOMO (alegria de estar perdendo algo), um conceito que celebra a desconexão consciente.

Historicamente, movimentos de retorno ao passado ocorrem sempre que uma nova tecnologia atinge o seu ponto de saturação na sociedade. O que se observa agora no Brasil é a consolidação de um ecossistema que oferece o "direito ao offline". Marcas globais já começam a lançar versões simplificadas de aparelhos, os chamados dumbphones, que possuem apenas funções básicas de ligação e SMS, visando atender o público que deseja se manter funcional sem ser escravo das notificações constantes.

O que esperar

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A tendência é que o mercado de experiências analógicas se fragmente em subnichos ainda mais específicos. Analistas preveem que, nos próximos dois anos, a desconexão se torne um diferencial competitivo para marcas de luxo e bem-estar. A expectativa é que surjam novas regulamentações ou selos de qualidade para ambientes tech-free, consolidando a ideia de que o tempo de qualidade, longe das telas, é o ativo mais valioso da economia moderna.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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