Desmatamento na Amazônia recua 36,9% e atinge menor nível histórico

Dados do sistema Deter, do Inpe, mostram queda recorde na destruição da Amazônia e recuo de 7,8% no Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 16:153 min de leitura

Desmatamento na Amazônia recua 36,9% e atinge menor nível histórico
Resumo em 10 segundos

Dados oficiais confirmam redução expressiva na perda de cobertura vegetal nos dois maiores biomas brasileiros no último ciclo anual.

O monitoramento por satélite realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou uma queda histórica nos índices de destruição ambiental no Brasil. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, os alertas de desmatamento na Amazônia registraram um recuo de 36,9%, consolidando o menor valor já registrado em toda a série histórica do sistema Deter. Paralelamente, o bioma Cerrado também apresentou uma tendência de queda, com uma redução de 7,8% na área sob alerta em comparação ao período anterior.

Detalhamento dos números na Amazônia

De acordo com o levantamento técnico, a área total com alertas de degradação na região amazônica somou 2.874 km² no intervalo de doze meses. Este número representa um marco para a gestão ambiental brasileira, sendo a primeira vez que o índice fica abaixo do patamar de 3.000 km² desde o início da operação do sistema de detecção em tempo real. A intensificação da fiscalização pelo Ibama e pelo ICMBio em pontos críticos de extração ilegal de madeira e garimpo é apontada como o principal fator para a contenção do avanço das motosserras.

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Situação no Cerrado e desafios regionais

No Cerrado, o segundo maior bioma do país, a área afetada foi de 5.119 km². Embora a queda de 7,8% seja considerada um avanço positivo pelas autoridades ambientais, o bioma ainda concentra uma área absoluta de alertas superior à da Amazônia. O foco das ações governamentais tem se voltado para a região do Matopiba — que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — onde a expansão agropecuária exerce maior pressão sobre a vegetação nativa. O Ministério do Meio Ambiente sinalizou que novas estratégias de monitoramento específicas para áreas de savana serão implementadas no próximo semestre.

Metodologia e transparência dos dados

Os números são provenientes do sistema Deter-B, que utiliza sensores de alta frequência para identificar alterações na cobertura florestal em áreas superiores a 3 hectares. Embora o Deter não seja o dado oficial de taxa anual — função desempenhada pelo sistema Prodes —, ele serve como o principal termômetro para políticas públicas de combate ao crime ambiental. A divulgação desses dados reforça o compromisso do Governo Federal com as metas internacionais de emissão de carbono e preservação da biodiversidade, essenciais para acordos comerciais com a União Europeia.

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Contexto

A preservação da Amazônia e do Cerrado é um pilar central da política externa brasileira e da segurança climática global. Nos últimos anos, o Brasil enfrentou pressões internacionais devido ao aumento da degradação, o que levou à reestruturação do Fundo Amazônia e à criação de novos planos de ação, como o PPCDAm. A redução observada entre 2025 e 2026 indica uma reversão da tendência de alta que marcou o início da década, permitindo que o país recupere protagonismo em fóruns como a COP.

Próximos passos

A expectativa das autoridades é que a queda nos alertas se converta em uma redução proporcional na taxa oficial de desmatamento a ser divulgada no final do ano. O Ministério da Justiça e o Ministério da Defesa devem manter o apoio logístico para operações de campo, enquanto o BNDES planeja liberar novos recursos para projetos de economia sustentável que ofereçam alternativas de renda às populações locais, visando manter a curva de desmatamento em declínio contínuo até 2030.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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