Economia

Desmatamento no Brasil gera alerta comercial nos EUA sobre concorrência

Representante comercial americano Jamieson Greer afirma que práticas ambientais brasileiras criam desvantagem competitiva para produtores dos Estados Unidos.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 11:483 min de leitura

Desmatamento no Brasil gera alerta comercial nos EUA sobre concorrência
Resumo em 10 segundos

Governo americano sinaliza que normas ambientais flexíveis no território brasileiro podem impactar o equilíbrio do comércio global de commodities.

O Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, manifestou preocupação formal nesta segunda-feira, 24 de novembro de 2025, sobre como o ritmo do desmatamento no Brasil afeta a competitividade agrícola. Durante um encontro oficial realizado em Bruxelas, na Bélgica, a autoridade americana destacou que a diferença entre as exigências de preservação ambiental nos dois países coloca os produtores dos EUA em uma posição de desvantagem comercial direta.

Impacto no mercado internacional

De acordo com a análise apresentada por Jamieson Greer, a expansão de áreas produtivas brasileiras sobre biomas preservados permite uma redução de custos operacionais que não é replicável em solo americano, devido às rígidas leis de conservação vigentes nos Estados Unidos. O representante enfatizou que a sustentabilidade não deve ser apenas uma meta ecológica, mas um pilar de equidade comercial, evitando que nações que investem em proteção ambiental sejam punidas economicamente pela concorrência.

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Durante o almoço de trabalho com ministros do comércio da União Europeia, o cenário brasileiro foi utilizado como exemplo de como a governança climática está intrinsecamente ligada às tarifas e acordos de exportação. O governo americano entende que, sem uma padronização global ou mecanismos de compensação, o setor produtivo de Washington continuará enfrentando dificuldades para competir com os preços das commodities oriundas de áreas recentemente desmatadas na América do Sul.

Pressão por novas regras comerciais

O posicionamento de Greer reflete uma mudança de postura na administração americana, que busca alinhar as políticas de comércio exterior aos compromissos do Acordo de Paris. A crítica ocorre em um momento de transição regulatória, onde grandes blocos econômicos discutem a implementação de barreiras para produtos que não comprovem origem em áreas livres de degradação florestal. Para o representante comercial, o Brasil precisa acelerar a fiscalização para garantir que o comércio bilateral não seja prejudicado por práticas predatórias.

Autoridades presentes no encontro internacional reforçaram que a rastreabilidade da produção é a chave para o futuro das relações comerciais entre as Américas e a Europa. O foco recai principalmente sobre as cadeias da soja e da carne bovina, que são os motores das exportações brasileiras e os principais pontos de fricção nas discussões sobre o uso da terra e a preservação da biodiversidade no Hemisfério Sul.

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Contexto

Historicamente, o Brasil e os Estados Unidos disputam a liderança global na exportação de grãos, o que torna qualquer variação nos custos de produção um tema sensível de segurança econômica. Nos últimos anos, os índices registrados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) têm sido monitorados de perto por investidores estrangeiros, que condicionam o aporte de capital à redução efetiva da derrubada de florestas na Amazônia e no Cerrado.

A diplomacia ambiental tornou-se a principal ferramenta de negociação no século XXI, e a fala de Jamieson Greer em 2025 consolida a tendência de que o acesso aos mercados mais lucrativos do mundo dependerá, obrigatoriamente, do cumprimento de metas rigorosas de desmatamento zero. A pressão americana soma-se às recentes diretrizes europeias, criando um cerco regulatório ao agronegócio que não prioriza a regeneração ambiental.

Próximos passos

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A expectativa é que o governo brasileiro responda às declarações através do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para tentar mitigar possíveis sanções ou revisões de acordos. No curto prazo, grupos de trabalho entre Brasília e Washington devem se reunir para discutir critérios técnicos de sustentabilidade, enquanto o setor produtivo nacional busca acelerar a certificação de propriedades para manter a competitividade diante das críticas internacionais.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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