Detento morre eletrocutado durante trabalho em presídio no Ceará

Francisco Rogério Torres Barbosa Júnior, de 48 anos, sofreu descarga elétrica fatal enquanto operava equipamento na Unidade Prisional de Itaitinga 2.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 13:043 min de leitura

Detento morre eletrocutado durante trabalho em presídio no Ceará
Resumo em 10 segundos

Incidente fatal em unidade prisional da Região Metropolitana de Fortaleza levanta questionamentos sobre segurança em programas de ressocialização.

Um interno da Unidade Prisional de Itaitinga 2 (UP-Itaitinga2), identificado como Francisco Rogério Torres Barbosa Júnior, de 48 anos, morreu após sofrer uma forte descarga elétrica na última segunda-feira. O incidente ocorreu no momento em que o detento realizava atividades laborais vinculadas aos projetos de ressocialização mantidos pelo sistema penitenciário do Ceará. Apesar das tentativas de socorro, a vítima não resistiu à gravidade do choque e o óbito foi confirmado ainda no complexo.

Detalhes do acidente e socorro

O caso aconteceu enquanto o interno operava um equipamento eletrônico nas oficinas de trabalho da unidade. De acordo com informações preliminares fornecidas pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), o detento foi atingido por um curto-circuito ou falha técnica no maquinário. Imediatamente após o choque, equipes de saúde interna da UP-Itaitinga2 realizaram os primeiros procedimentos de reanimação, mas o quadro clínico de Francisco Rogério evoluiu rapidamente para uma parada cardiorrespiratória irreversível.

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A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) foi acionada ao local para realizar os levantamentos técnicos e periciar o equipamento envolvido na fatalidade. O corpo foi encaminhado para a sede do órgão, em Fortaleza, onde passou por exames de necropsia para detalhar a causa da morte. A área onde o trabalho era realizado foi isolada para que os peritos pudessem coletar evidências que ajudem a determinar se houve negligência na manutenção das máquinas ou falta de equipamentos de proteção individual (EPIs).

Investigação e procedimentos oficiais

A Polícia Civil do Estado do Ceará instaurou um inquérito policial para apurar as circunstâncias exatas do ocorrido. Investigadores do 15º Distrito Policial devem ouvir agentes penitenciários, outros internos que trabalhavam no mesmo setor e os responsáveis pela manutenção técnica da unidade nos próximos dias. O objetivo é esclarecer se as normas de segurança do trabalho estavam sendo rigorosamente seguidas dentro do ambiente carcerário, uma vez que o trabalho é uma ferramenta estatal de redução de pena.

Em nota oficial, a administração do sistema prisional lamentou o falecimento e informou que está prestando a assistência necessária aos familiares de Francisco Rogério. A pasta destacou que todos os internos que participam de ciclos produtivos recebem treinamento prévio, mas que uma auditoria interna será aberta para revisar os protocolos de segurança em todas as unidades que possuem oficinas de eletrônicos e montagem.

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Contexto

O sistema penitenciário do Ceará tem investido na expansão de frentes de trabalho para detentos como forma de combater a reincidência criminal. Atualmente, milhares de internos em todo o estado atuam em setores que vão desde a fabricação de uniformes até a manutenção de aparelhos tecnológicos. No entanto, o crescimento dessas atividades exige uma fiscalização rigorosa das condições de infraestrutura das unidades prisionais, muitas vezes sobrecarregadas pelo alto efetivo.

A Unidade Prisional de Itaitinga 2 é um dos pontos focais dessa política de ressocialização na Região Metropolitana, abrigando projetos que visam a profissionalização do apenado. Acidentes de trabalho em presídios são monitorados por órgãos de direitos humanos e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que preconizam que o Estado deve garantir a integridade física do custodiado durante qualquer atividade laboral sob sua tutela.

Próximos passos

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O laudo final da Pefoce deve ser entregue às autoridades em até 30 dias, documento que será crucial para definir se haverá responsabilização administrativa ou criminal de gestores. Enquanto isso, as atividades laborais no setor específico da UP-Itaitinga2 permanecem suspensas até que todos os equipamentos passem por uma vistoria técnica completa para garantir a segurança dos demais detentos trabalhadores.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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