Documentário sobre cineasta Xavante disputa o Kikito em Gramado

Filme 'Divino: Sua alma, sua lente' coloca a cultura indígena de Mato Grosso no centro do Festival de Gramado, concorrendo na categoria de Curtas-Metragens.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 21:223 min de leitura

Documentário sobre cineasta Xavante disputa o Kikito em Gramado
Resumo em 10 segundos

Obra destaca a trajetória de Divino Tserewahú e a força do cinema indígena mato-grossense no maior festival do país.

O documentário Divino: Sua alma, sua lente foi oficialmente selecionado para a mostra competitiva da 52ª edição do Festival de Cinema de Gramado, no Rio Grande do Sul. A produção, que narra a vida e o legado de um dos maiores nomes do audiovisual indígena no Brasil, concorre ao cobiçado troféu Kikito na categoria de Curtas-Metragens Brasileiros, reafirmando o protagonismo das narrativas originárias no cenário cultural contemporâneo.

A trajetória de um pioneiro

A obra mergulha na história de Divino Tserewahú, cineasta do povo Xavante que, há décadas, utiliza as câmeras para documentar rituais, tradições e a resistência de sua comunidade em Mato Grosso. O filme apresenta como o diretor rompeu barreiras técnicas e culturais para se tornar uma referência internacional, sendo um dos precursores do movimento Vídeo nas Aldeias. A narrativa foca na transição do olhar de quem é filmado para quem assume o controle da própria história através das lentes.

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Representatividade em Gramado

A seleção para o festival, que ocorre tradicionalmente no mês de agosto, é vista por especialistas como um marco para o cinema do Centro-Oeste. Ao ocupar a tela do Palácio dos Festivais, o documentário leva a cosmologia A’uwẽ Uptabi (como os Xavante se autodenominam) para uma audiência global. A produção destaca que o cinema indígena não é apenas um registro etnográfico, mas uma ferramenta de autoafirmação política e artística que desafia os estereótipos históricos construídos pelo cinema convencional.

Impacto cultural e técnico

Com uma estética que mescla arquivos pessoais e novas capturas, o curta-metragem explora a sensibilidade de Tserewahú em captar o invisível aos olhos não indígenas. De acordo com a organização do evento, a curadoria buscou obras que apresentassem excelência técnica aliada a discursos urgentes. A presença de Mato Grosso na disputa principal reforça a descentralização da produção audiovisual brasileira, que encontra nas aldeias do Xingu e de outras reservas um celeiro de criatividade e inovação técnica.

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Contexto

O cinema indígena brasileiro tem conquistado espaços inéditos na última década, com premiações em festivais como Cannes e Berlim. O povo Xavante, especificamente, possui uma longa tradição de colaboração audiovisual, utilizando o vídeo desde a década de 1980 para proteger seu território e memória. O Festival de Gramado tem acompanhado esse movimento, abrindo categorias e debates que inserem os realizadores originários no mercado profissional de distribuição e exibição nacional.

O que esperar

Após a exibição em Gramado, a expectativa é que o documentário percorra o circuito de festivais internacionais e seja integrado a catálogos de streaming focados em direitos humanos e diversidade cultural. O resultado da premiação será anunciado na noite de encerramento do festival, onde Divino: Sua alma, sua lente aparece como um dos favoritos pela crítica especializada para levar o prêmio de Melhor Roteiro ou Melhor Filme pelo júri oficial.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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