El Niño ameaça segurança alimentar e muda rotina de indígenas em Roraima

Comunidades indígenas de Roraima enfrentam seca severa e calor extremo. Treinamentos sobre manejo do fogo buscam proteger as roças e garantir a subsistência.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 10 de agosto de 2026 às 07:003 min de leitura

El Niño ameaça segurança alimentar e muda rotina de indígenas em Roraima
Resumo em 10 segundos

Fenômeno climático extremo exige adaptações urgentes no manejo agrícola e medidas preventivas contra incêndios em terras indígenas.

Agricultores de diversas comunidades em Roraima estão sendo forçados a modificar milenares rotinas de plantio devido à intensidade do El Niño. O fenômeno, que eleva as temperaturas e reduz drasticamente a pluviosidade na região Norte, colocou em risco a subsistência de povos que dependem diretamente das roças. Diante do solo ressecado e da escassez de fontes de água, lideranças locais e órgãos de apoio iniciaram uma força-tarefa neste mês de fevereiro para capacitar os produtores sobre o uso controlado do fogo e técnicas de preservação ambiental.

Adaptação no campo e manejo do fogo

A mudança no calendário agrícola é a principal estratégia para evitar perdas totais na produção de mandioca, milho e feijão. Tradicionalmente, o período de queima para limpeza do terreno ocorria com segurança, mas a baixa umidade atual transforma qualquer faísca em potencial incêndio florestal. Por isso, brigadistas e técnicos ambientais intensificaram treinamentos práticos nas aldeias. O objetivo é ensinar o aceiro, técnica de limpeza de faixas de terra, e monitorar a direção dos ventos antes de qualquer intervenção, garantindo que o sustento das famílias não seja consumido pelas chamas.

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Impacto na segurança alimentar

A preocupação das lideranças indígenas vai além da técnica. Há um temor real de desabastecimento nas comunidades mais isoladas do Estado. Com os rios em níveis críticos, o transporte de insumos e a própria pesca tornam-se limitados. Especialistas do Conselho Indígena de Roraima (CIR) alertam que o calor excessivo impede o desenvolvimento pleno das plantas, resultando em colheitas menores e frutos de baixa qualidade nutricional. O cenário exige que as comunidades estoquem alimentos e busquem alternativas de irrigação de baixo custo para manter as hortas comunitárias ativas durante o verão amazônico.

O que dizem as autoridades

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima, o número de focos de calor em áreas próximas a reservas indígenas aumentou significativamente em comparação ao mesmo período do ano passado. A corporação, em conjunto com o Ibama, tem monitorado via satélite as zonas de maior risco. As autoridades reforçam que a queima sem autorização ou sem as técnicas de segurança adequadas pode resultar em sanções, embora o foco atual seja a educação preventiva e o apoio logístico aos povos originários para evitar desastres ambientais de grande escala.

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Contexto

O estado de Roraima é historicamente vulnerável às oscilações do Pacífico Equatorial. Em anos de El Niño forte, como o registrado em 2024, a estiagem se prolonga por meses, afetando não apenas a agricultura, mas também o abastecimento de água potável em áreas rurais. O histórico de grandes queimadas no estado, como as ocorridas no final da década de 1990, serve de alerta para a necessidade de políticas públicas permanentes de convivência com a seca na Amazônia Setentrional.

Historicamente, a vegetação de lavrado, característica de parte do território roraimense, é altamente inflamável sob sol forte. A combinação de vegetação seca e ventos constantes cria o ambiente perfeito para a propagação de fogo, o que torna o treinamento das comunidades uma peça fundamental na engrenagem de defesa civil e preservação da biodiversidade local.

O que esperar

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A previsão meteorológica indica que os efeitos do fenômeno devem persistir até o final do primeiro semestre, o que manterá as comunidades em estado de alerta máximo. A expectativa é que, com a aplicação das técnicas de manejo integrado, o impacto sobre a produção agrícola seja minimizado. O governo estadual e órgãos federais devem anunciar, nas próximas semanas, novos pacotes de ajuda humanitária e perfuração de poços artesianos para mitigar os efeitos da sede e da fome nas regiões mais afetadas pelo clima extremo.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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