Epidemia do suco: Uso de anabolizantes dispara e gera alerta médico
Crescimento no consumo de hormônios para fins estéticos preocupa especialistas após mortes de jovens. Conheça os riscos e o suporte para dependentes.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 21:433 min de leitura

Aumento no consumo de substâncias hormonais para fins estéticos sobrecarrega sistema de saúde e levanta debate sobre segurança biológica.
O falecimento recente de um fisiculturista de 22 anos na cidade de São Paulo trouxe à tona uma realidade alarmante que atinge academias em todo o país: o uso indiscriminado do chamado "suco". A prática, que consiste na aplicação de esteroides anabolizantes e outros hormônios sem prescrição médica, tem se tornado uma epidemia silenciosa entre jovens que buscam resultados estéticos imediatos, ignorando os severos riscos ao coração, fígado e à saúde mental.
O perigo por trás da estética
Especialistas apontam que a normalização do uso dessas substâncias em redes sociais cria uma falsa sensação de segurança para os usuários. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o uso de testosterona e derivados para fins puramente estéticos não possui qualquer respaldo científico e pode causar danos irreversíveis. Entre as consequências mais comuns estão a hipertrofia cardíaca, insuficiência renal e quadros graves de depressão ou agressividade quando o consumo é interrompido bruscamente.
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O caso do jovem atleta em São Paulo é um exemplo extremo de como o organismo pode colapsar sob o efeito de doses supra-fisiológicas. A Polícia Civil e órgãos de saúde investigam a procedência das substâncias, que muitas vezes são adquiridas no mercado clandestino ou em versões fabricadas para uso veterinário. A facilidade de acesso a esses produtos em ambientes digitais dificulta a fiscalização e expõe adolescentes a componentes químicos de pureza duvidosa, aumentando as chances de infecções e embolias.
Apoio médico para a descontinuação
Diante do cenário crítico, instituições de ensino e saúde começam a estruturar redes de apoio para quem deseja abandonar o vício. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mantém um projeto pioneiro voltado especificamente para o tratamento de usuários de esteroides. O objetivo é oferecer suporte clínico e psicológico, uma vez que a interrupção do uso causa um choque hormonal no corpo, levando a sintomas severos de abstinência e à baixa produção natural de hormônios.
Os médicos envolvidos no programa ressaltam que o tratamento não é apenas físico, mas envolve uma reeducação sobre a imagem corporal. Muitos dos pacientes atendidos apresentam sinais de vigorexia, um transtorno onde o indivíduo nunca se sente satisfeito com sua musculatura, independentemente do volume alcançado. O acolhimento pela Unifesp busca reduzir os danos e prevenir novas fatalidades, tratando o uso do "suco" como uma questão de saúde pública e dependência química.
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Contexto
Historicamente, o uso de anabolizantes era restrito a nichos muito específicos do esporte de alto rendimento. No entanto, na última década, o Brasil registrou um salto no consumo dessas substâncias por não-atletas. Dados de conselhos médicos indicam que a busca por um padrão estético inalcançável, impulsionada por filtros e influenciadores, fez com que o mercado paralelo de hormônios crescesse mais de 30% em períodos recentes, atingindo uma faixa etária cada vez mais jovem, muitas vezes a partir dos 16 anos.
Em 2023, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução que proíbe expressamente a prescrição de esteroides para fins estéticos e ganho de massa muscular. A medida visa proteger os profissionais de saúde e os pacientes, estabelecendo que a terapia hormonal só é permitida em casos de deficiência comprovada por exames laboratoriais. Mesmo com a proibição, o comércio ilegal continua a florescer em fóruns online e grupos de mensagens.
O que esperar
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O debate sobre a regulamentação e a fiscalização do comércio de hormônios deve ganhar força no Congresso Nacional nos próximos meses. Enquanto isso, autoridades de saúde reforçam a necessidade de campanhas de conscientização dentro das escolas e centros esportivos. A expectativa é que, com a ampliação de projetos de acolhimento como o da Unifesp, mais pessoas busquem ajuda médica antes que os efeitos colaterais se tornem fatais, quebrando o ciclo de dependência gerado pela busca obsessiva pelo corpo perfeito.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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