Esquadrilha da Fumaça: Os segredos técnicos das manobras mais arriscadas
Conheça os detalhes operacionais do A-29 Super Tucano e a precisão exigida dos pilotos da FAB em acrobacias como o espelhão e o tonneau invertido.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 01 de novembro de 2026 às 00:053 min de leitura

Acrobacias de alta complexidade exigem sincronia absoluta e resistência física extrema dos pilotos da Força Aérea Brasileira.
O céu brasileiro é palco de um dos espetáculos aéreos mais respeitados do mundo, executado pelo Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA). Utilizando a robusta aeronave A-29 Super Tucano, os pilotos realizam manobras que desafiam a gravidade e exigem um treinamento rigoroso. Entre os movimentos mais temidos e admirados estão o Wingover, o Tonneau Invertido e o icônico Espelhão, que demandam não apenas habilidade técnica, mas uma coordenação milimétrica entre os sete aviões que compõem a formação oficial.
A engenharia por trás do voo invertido
Uma das manobras que mais impressiona o público é o Tonneau Invertido. Neste procedimento, o piloto gira a aeronave em seu próprio eixo longitudinal até ficar de cabeça para baixo, mantendo a trajetória retilínea. Segundo especialistas da Força Aérea Brasileira, o desafio reside na alteração dos comandos de voo, que passam a atuar de forma invertida para o operador. O A-29 Super Tucano é projetado para suportar forças G negativas e positivas intensas, garantindo que o motor continue alimentado mesmo em posições não convencionais durante as exibições em festas cívicas e portões abertos.
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O desafio do Espelhão e a proximidade letal
No Espelhão, a precisão é levada ao limite. Duas aeronaves voam juntas, uma em posição normal e outra invertida, simulando um reflexo perfeito. A distância entre as asas é de poucos metros, o que exige que os aviadores ignorem o instinto de preservação para manter a formação estável. Qualquer turbulência ou variação térmica pode comprometer a segurança, por isso, a comunicação via rádio é constante e codificada. Esta manobra é considerada uma das assinaturas visuais da Esquadrilha da Fumaça, demonstrando a versatilidade do turboélice de ataque leve fabricado pela Embraer.
Wingover e a manobra do coração
O Wingover funciona como uma transição dinâmica, onde o avião realiza uma subida acentuada seguida de uma curva de reversão, perdendo altitude para ganhar velocidade. É a base para o posicionamento em diversas outras acrobacias. Já a famosa Manobra do Coração envolve a divisão do grupo em dois elementos que desenham a silhueta no céu com o uso de fumaça branca. O cruzamento final, onde os aviões passam em alta velocidade em direções opostas, é o momento de maior tensão, ocorrendo a velocidades que podem ultrapassar os 500 km/h.
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Contexto
A Esquadrilha da Fumaça possui mais de 70 anos de história, tendo passado por diversas aeronaves, desde o T-6 Texan até o atual A-29. O esquadrão, sediado na Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassununga, interior de São Paulo, tem como missão principal difundir a imagem institucional da aeronáutica e demonstrar a capacidade da indústria aeroespacial brasileira. Os pilotos selecionados para o grupo precisam ter, no mínimo, 1.500 horas de voo, garantindo que apenas a elite da aviação de caça integre o time.
O que esperar
Para as próximas temporadas, o EDA planeja expandir suas apresentações internacionais, levando a bandeira do Brasil para grandes eventos na América Latina e Europa. A manutenção preventiva rigorosa e o aprimoramento das táticas de voo garantem que o espetáculo continue sendo uma referência global de segurança e perícia. O público pode aguardar novas variações de manobras que exploram ainda mais o limite estrutural do Super Tucano.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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