Exorcismo na prática: Padre revela bastidores e desmistifica ritos

O sacerdote Kleber Tostes detalha como funciona o processo de exorcismo em Ribeirão Preto e explica por que a realidade difere das produções cinematográficas.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 04:013 min de leitura

Exorcismo na prática: Padre revela bastidores e desmistifica ritos
Resumo em 10 segundos

Sacerdote nomeado pela Igreja Católica detalha a rotina espiritual e os critérios rigorosos para a realização de rituais de libertação.

O padre Kleber Tostes, primeiro exorcista oficialmente nomeado pela Arquidiocese de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, trouxe a público detalhes sobre a prática milenar que costuma cercar o imaginário popular. Longe dos efeitos especiais de Hollywood, o religioso afirma que os atendimentos seguem protocolos rígidos e que a maioria dos casos apresentados à Igreja não demanda, necessariamente, a intervenção do rito solene de exorcismo, priorizando sempre a saúde mental e a fé do fiel.

O processo de triagem e o papel da medicina

De acordo com as diretrizes da Igreja Católica, o exorcismo é considerado a última etapa de um longo processo de acompanhamento. Kleber Tostes explica que, antes de qualquer intervenção espiritual direta, é fundamental realizar uma diferenciação entre distúrbios de ordem psiquiátrica e fenômenos de natureza espiritual. O sacerdote destaca que o trabalho é feito em conjunto com a ciência, buscando descartar patologias médicas antes de confirmar a necessidade do rito litúrgico.

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Durante o acolhimento, o fiel passa por sessões de oração e escuta. Segundo o Direito Canônico, apenas sacerdotes autorizados pelo Bispo Diocesano podem realizar o grande exorcismo. Em Ribeirão Preto, a nomeação de um exorcista oficial visa organizar esses atendimentos, garantindo que a prática ocorra dentro das normas eclesiásticas e com a prudência necessária para evitar o charlatanismo ou o agravamento de quadros clínicos pré-existentes.

Cinema versus Realidade

Ao comparar a experiência prática com as telas de cinema, o padre garante que as produções cinematográficas exageram nos fenômenos físicos para gerar entretenimento. Na vida real, Kleber Tostes afirma que as situações são muito mais tranquilas do que o público imagina. Embora existam manifestações, o foco do rito é a oração de libertação e a reconexão da pessoa com a sua espiritualidade, sem a necessidade das cenas grotescas comumente vistas em filmes de terror.

O sacerdote reforça que o objetivo principal do seu ministério é o alívio do sofrimento humano. Para ele, o medo em torno do tema é alimentado pela falta de informação. O ritual, quando aplicado, segue o Ritual Romano, um livro litúrgico que contém as orações específicas aprovadas pela Santa Sé. A discrição é um dos pilares do trabalho, visando proteger a identidade e a dignidade das famílias que buscam auxílio na Arquidiocese.

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Contexto

A função de exorcista foi revitalizada nos últimos anos dentro da estrutura da Igreja. Em 2014, o Vaticano reconheceu juridicamente a Associação Internacional de Exorcistas (AIE), sinalizando uma maior abertura para que as dioceses ao redor do mundo, incluindo as do Brasil, formalizassem a nomeação de padres capacitados para a função. A medida busca combater o avanço de rituais paralelos que não seguem a doutrina católica oficial.

Historicamente, o exorcismo é uma das práticas mais antigas do cristianismo, fundamentada em passagens bíblicas. No entanto, com o avanço da psicologia e da psiquiatria no século XX, a Igreja tornou-se extremamente cautelosa. Atualmente, a orientação é que o acompanhamento espiritual caminhe lado a lado com o tratamento médico convencional, tratando o ser humano de forma integral.

O que esperar

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A nomeação de Kleber Tostes em Ribeirão Preto deve servir como modelo para outras regiões do país que buscam centralizar e profissionalizar o atendimento espiritual. A expectativa é que, com a transparência sobre o tema, o estigma diminua e as pessoas que sofrem com angústias profundas encontrem um caminho seguro de acolhimento, pautado tanto pela fé quanto pela racionalidade técnica exigida pela instituição.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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