Expectativa de vida no Brasil sobe, mas doenças acompanham idosos por 12 anos
Estudo global revela que brasileiros vivem mais tempo, porém enfrentam décadas de limitações de saúde. Doenças crônicas e envelhecimento são os principais desafios.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 10:153 min de leitura
Levantamento aponta que o aumento da longevidade no país é acompanhado por um crescimento proporcional de anos vividos com limitações físicas e enfermidades crônicas.
Um novo estudo internacional publicado na revista científica The Lancet revela que o Brasil registrou um avanço significativo na expectativa de vida nas últimas três décadas. No entanto, o dado positivo traz um alerta para o sistema público de saúde: o brasileiro médio agora passa cerca de 12,5 anos de sua existência convivendo com algum tipo de enfermidade ou incapacidade. O fenômeno reflete a transição demográfica do país, onde o controle de doenças infecciosas permitiu que a população chegasse à terceira idade, mas sem a garantia de um envelhecimento plenamente saudável.
O panorama da saúde nacional
Os dados comparativos entre 1990 e 2021 mostram que a expectativa de vida ao nascer no Brasil saltou de 65,3 anos para aproximadamente 72,8 anos. Contudo, o ganho em "anos de vida saudável" não seguiu o mesmo ritmo. Segundo pesquisadores do Global Burden of Disease, enquanto a medicina avançou no tratamento de condições agudas, as doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e distúrbios musculoesqueléticos, tornaram-se as principais vilãs da qualidade de vida da população adulta e idosa.
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Fatores que impactam a longevidade
Especialistas apontam que a exposição prolongada a fatores de risco é o que sustenta esse período de 12 anos de morbidade. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo e o aumento das taxas de obesidade no território nacional contribuem para que os brasileiros desenvolvam doenças precocemente. A análise destaca que, embora as pessoas não estejam morrendo tão cedo, elas estão convivendo por mais tempo com dores crônicas e limitações funcionais que sobrecarregam o Sistema Único de Saúde (SUS) e impactam a produtividade econômica.
O impacto da pandemia e novos desafios
A pesquisa também considerou o impacto da Covid-19, que causou uma queda temporária na expectativa de vida global, mas não alterou a tendência de longo prazo de envelhecimento populacional. No Brasil, a recuperação dos indicadores de saúde pós-pandemia enfrenta o desafio de tratar as sequelas deixadas pelo vírus, além de retomar o controle de doenças que ficaram em segundo plano durante a crise sanitária. O relatório reforça que a saúde mental, especialmente casos de depressão e ansiedade, também contribui significativamente para o tempo de vida vivido com incapacidade.
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Contexto
Historicamente, o Brasil passou por uma rápida urbanização que mudou o perfil epidemiológico do país. Se na década de 1970 a maior preocupação eram as doenças diarreicas e respiratórias em crianças, no século XXI o foco mudou para o manejo de condições que acompanham o indivíduo por décadas. Programas como o Estratégia Saúde da Família têm sido essenciais, mas a infraestrutura ainda carece de adaptações para atender uma população que, embora viva mais, apresenta demandas complexas de geriatria e reabilitação.
O que esperar
Para os próximos anos, a tendência é que a pressão sobre o orçamento da saúde aumente. Autoridades sanitárias defendem que o foco das políticas públicas deve migrar da cura para a prevenção primária. Sem uma mudança drástica nos hábitos de vida e um investimento massivo em atenção básica, o brasileiro continuará a ganhar anos no calendário, mas perderá qualidade no dia a dia, estendendo ainda mais o tempo de convivência com limitações físicas e biológicas.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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