Exploração sexual digital atinge 20% dos jovens no Brasil, alerta Unicef
Levantamento revela que uma em cada cinco crianças e adolescentes sofreu abuso facilitado pela tecnologia. O silêncio das vítimas ainda é o maior obstáculo.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 31 de outubro de 2026 às 20:543 min de leitura

Estudo detalha o avanço da violência sexual no ambiente virtual e a dificuldade de denúncia entre as vítimas menores de idade.
Uma nova investigação conduzida pelo Unicef revela um cenário alarmante sobre a segurança digital na infância e adolescência. Os dados apontam que 20% dos jovens, o equivalente a um em cada cinco, já foram vítimas de alguma modalidade de exploração ou abuso sexual mediado pela tecnologia. O levantamento, que abrange o comportamento de usuários em todo o território nacional, destaca que a internet se tornou o principal campo de atuação para criminosos que buscam vulnerabilidades em perfis de menores de idade.
O silêncio das vítimas no ambiente digital
Um dos pontos mais críticos revelados pela pesquisa é a barreira do silêncio que impede a responsabilização dos agressores. Cerca de 34% das vítimas que sofreram abusos virtuais nunca relataram o ocorrido a ninguém. Esse isolamento é atribuído ao medo de represálias, vergonha ou à falta de compreensão sobre a gravidade da violação sofrida. Quando decidem falar, a rede de apoio imediata é a preferida: 24% dos jovens optam por desabafar com um amigo da mesma faixa etária, enquanto apenas 12% das vítimas levam o caso ao conhecimento da mãe.
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Táticas de aliciamento e exposição
Especialistas em crimes cibernéticos indicam que o aliciamento ocorre, em sua maioria, por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas. O uso de perfis falsos e a manipulação psicológica, conhecida como grooming, são as ferramentas mais comuns para obter imagens íntimas ou forçar interações de cunho sexual. O Ministério da Justiça e Segurança Pública tem reforçado que a facilidade de acesso a dispositivos móveis sem a devida supervisão parental amplia a exposição de crianças a conteúdos impróprios e a contatos com desconhecidos mal-intencionados.
Impactos psicológicos e sociais
As consequências para quem sofre este tipo de violência são profundas e, muitas vezes, duradouras. De acordo com psicólogos que acompanham casos de crimes digitais, a sensação de que o conteúdo pode ser replicado infinitamente na rede gera quadros graves de ansiedade, depressão e fobia social. A falta de canais de denúncia que sejam percebidos como seguros pelos adolescentes contribui para que a subnotificação continue alta, dificultando o trabalho das autoridades policiais na identificação de redes de pedofilia que operam no Brasil.
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Contexto
O aumento da violência sexual facilitada pela tecnologia acompanha a digitalização acelerada da sociedade brasileira nos últimos anos. Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil indicam que a quase totalidade da população jovem possui acesso frequente à rede, muitas vezes sem ferramentas de controle parental ativas. Historicamente, o combate a esses crimes esbarra na agilidade com que novas plataformas surgem, superando a velocidade da legislação e da fiscalização estatal.
O que esperar
Diante dos números apresentados pelo Unicef, a expectativa é que órgãos de proteção à infância e o Governo Federal intensifiquem campanhas de conscientização focadas no diálogo familiar. A meta é reduzir o índice de 34% de silêncio entre as vítimas, incentivando o uso de canais oficiais como o Disque 100. Além disso, projetos de lei que visam endurecer as penas para crimes cometidos no ambiente digital devem ganhar prioridade nas pautas legislativas ainda em 2024.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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