Expoacre: Fotógrafo preserva tradição dos cavalinhos há 15 anos
Antônio Gomes mantém viva a memória afetiva da feira agropecuária no Acre, registrando gerações em cenários clássicos que resistem ao tempo e à tecnologia.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 08:003 min de leitura

Tradição dos registros fotográficos em cenários rústicos resiste à era digital e atrai famílias no Parque de Exposições Wildy Viana.
No coração da Expoacre, em Rio Branco, um personagem se destaca em meio à modernidade dos estandes tecnológicos e shows pirotécnicos. O fotógrafo Antônio Gomes completa, nesta edição, 15 anos ininterruptos dedicados a capturar imagens de visitantes montados nos tradicionais cavalinhos de madeira. O serviço, que remete às feiras populares de décadas passadas, mantém-se como um dos pontos de parada obrigatória para as famílias acreanas que buscam uma recordação física do maior evento agropecuário do Acre.
A resistência do registro físico
Trabalhando todas as noites durante a festividade, Antônio Gomes transforma um cenário simples em uma fábrica de memórias. Enquanto a maioria dos frequentadores utiliza smartphones para selfies instantâneas, o fotógrafo aposta no charme do cenário rústico e na entrega da foto revelada. Segundo o profissional, o fluxo de clientes é constante desde a abertura dos portões até o fechamento da feira, demonstrando que o valor sentimental da imagem impressa ainda supera a volatilidade dos arquivos digitais para muitos frequentadores da Baixada do Sol.
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Gerações no mesmo cenário
O que torna o trabalho de Antônio Gomes singular é a passagem do tempo observada através de suas lentes. Ele relata que crianças que fotografou em meados de 2009 hoje retornam ao local trazendo seus próprios filhos para repetir o gesto. Esse ciclo geracional é o que o fotógrafo classifica como a parte mais gratificante de seu ofício. A montagem do espaço, que exige cuidado com a iluminação e a manutenção dos adereços, é feita com rigor para garantir que a mística da vida sertaneja seja transmitida em cada clique realizado no Parque de Exposições.
O impacto cultural na feira
A presença dos fotógrafos de lambe-lambe e cenários fixos é uma herança cultural que sobrevive em poucas festas regionais no Brasil. Na Expoacre, essa atividade não é apenas um comércio, mas um patrimônio imaterial da feira. Antônio Gomes destaca que, apesar das inovações anuais do setor produtivo e do agronegócio, o público busca o acolhimento do tradicional. O fotógrafo afirma que a técnica evoluiu, mas a essência de posicionar o cliente no cavalinho e ajustar o chapéu permanece a mesma de uma década e meia atrás.
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Contexto
A Expoacre é considerada o maior evento de entretenimento e negócios do estado, movimentando milhões de reais a cada edição e atraindo centenas de milhares de pessoas. Dentro deste ecossistema, pequenos empreendedores e artistas populares encontram espaço para preservar costumes nortistas. O setor de serviços e fotografia de rua é um dos pilares que sustentam a identidade visual da feira desde sua fundação, servindo como um elo entre o passado rural e o presente urbano da capital acreana.
Historicamente, esses registros eram a única forma de famílias do interior guardarem uma lembrança da viagem à capital. Mesmo com a popularização da internet móvel e das redes sociais, a fila para subir no cavalinho de madeira de Antônio Gomes prova que a experiência tátil e o ritual da pose fotográfica possuem um apelo emocional que a tecnologia ainda não conseguiu substituir integralmente no norte do país.
O que esperar
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Para os próximos dias de evento, a expectativa é que o volume de atendimentos cresça, especialmente no encerramento da feira. Antônio Gomes planeja continuar com sua estrutura montada, garantindo que a história da Expoacre continue sendo contada através dos sorrisos de quem passa por sua lente. A permanência de figuras como ele assegura que, independentemente do crescimento econômico do evento, a alma das festas populares continue preservada para as futuras gerações.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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