Falsas centrais bancárias: vídeos revelam bastidores do golpe milionário
Criminosos utilizam tecnologia de manipulação psicológica para esvaziar contas de vítimas em tempo real. Veja como funciona o esquema das centrais falsas.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 20:333 min de leitura

Imagens obtidas mostram a estrutura profissional de criminosos que manipulam aplicativos financeiros para desviar fortunas de correntistas brasileiros.
Uma investigação detalhada revelou o funcionamento interno de falsas centrais de atendimento, onde criminosos operam como se estivessem em um ambiente corporativo legítimo. O esquema, que ocorre em tempo real, utiliza técnicas avançadas de engenharia social para convencer as vítimas de que suas contas estão sob ataque, quando, na verdade, os próprios golpistas estão guiando o usuário a transferir grandes quantias de dinheiro para contas de laranjas. As gravações mostram que o crime não escolhe hora, ocorrendo durante todo o horário comercial.
A mecânica da manipulação psicológica
Nos vídeos analisados, é possível observar que os golpistas mantêm um tom de voz calmo e profissional, idêntico ao de funcionários de grandes instituições financeiras. O processo começa com uma ligação alertando sobre uma suposta transação suspeita. Sob o pretexto de "segurança", o criminoso orienta a vítima a acessar o aplicativo do banco e realizar procedimentos que, na prática, desabilitam travas de segurança ou autorizam transferências via Pix e TED. Em alguns casos registrados, o prejuízo individual ultrapassou a marca de R$ 200 mil em poucos minutos.
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Estrutura tecnológica e operacional
O que mais impressiona as autoridades de segurança pública é a organização das quadrilhas. Os criminosos utilizam softwares que mascaram o número de telefone de origem, fazendo com que o identificador de chamadas da vítima mostre o número oficial do banco. Dentro desses "escritórios do crime", localizados frequentemente em São Paulo e na Região Metropolitana, os operadores seguem roteiros pré-definidos para contornar qualquer dúvida do cliente, demonstrando um conhecimento profundo das interfaces de bancos como Itaú, Bradesco e Santander.
O que dizem as autoridades e especialistas
De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as instituições financeiras nunca solicitam senhas, códigos de validação ou que o cliente realize transferências para "anular" operações. A Polícia Civil alerta que, ao receber uma ligação suspeita, o correntista deve desligar imediatamente e entrar em contato com o banco através de um canal oficial, preferencialmente utilizando outro aparelho telefônico, já que os criminosos podem "segurar" a linha telefônica para simular um novo atendimento.
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Contexto
O aumento deste tipo de fraude no Brasil reflete a digitalização acelerada dos serviços bancários nos últimos três anos. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que os crimes de estelionato digital cresceram mais de 40% em relação ao ano anterior. A facilidade do sistema de pagamentos instantâneos, embora benéfica para a economia, tornou-se o principal alvo de quadrilhas especializadas que buscam liquidez imediata para o capital desviado.
Próximos passos
As forças de segurança intensificaram o monitoramento de redes sociais e fóruns onde esses vídeos de "treinamento" de golpistas são compartilhados. A expectativa é que novas operações de busca e apreensão ocorram nos próximos meses para desarticular os hubs tecnológicos que sustentam essas centrais falsas. Enquanto isso, a recomendação é de atenção redobrada a qualquer contato telefônico que solicite ações diretas no celular.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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