Falso médico é denunciado após negligência com criança em tratamento
Mãe de paciente com tumor cerebral desconfiou de profissional que manteve sonda sem troca por cinco meses. Caso gera alerta sobre fiscalização na saúde.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 02:003 min de leitura

Denúncia de negligência em atendimento domiciliar revela exercício ilegal da medicina e coloca em risco vida de paciente infantil.
Uma investigação sobre o exercício ilegal da medicina ganhou novos contornos nesta semana após a denúncia de Cintia Santos Matheus, mãe de uma criança diagnosticada com um tumor no cérebro. O caso, que tramita sob sigilo, veio à tona depois que a família notou irregularidades graves no tratamento ministrado por um suposto profissional de saúde, que teria negligenciado procedimentos básicos de manutenção e higiene hospitalar durante meses em residência particular.
A descoberta da negligência
A suspeita sobre a conduta do falso médico começou a se intensificar quando a mãe da criança percebeu que a sonda de alimentação, item crítico para a sobrevivência da paciente, não recebia a manutenção adequada. Segundo o relato da família, o dispositivo permaneceu exatamente cinco meses sem ser trocado, contrariando todos os protocolos médicos padrão que exigem a substituição periódica para evitar infecções e obstruções. A persistência do profissional em manter o equipamento usado levantou o sinal de alerta para Cintia Santos Matheus.
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Além da questão da sonda, a família identificou diversas outras inconsistências técnicas ao longo do acompanhamento. O suposto médico apresentava justificativas evasivas para a falta de procedimentos padrão e demonstrava insegurança em momentos de crise da paciente. A gravidade da situação é acentuada pelo quadro clínico da criança, que luta contra uma neoplasia cerebral, condição que exige monitoramento rigoroso e esterilização absoluta de qualquer via de acesso nutricional ou medicamentoso.
Investigação e segurança do paciente
Autoridades policiais e o Conselho Regional de Medicina foram notificados sobre o caso para verificar o registro profissional do indivíduo. A prática de se passar por médico sem a devida formação configura crime de exercício ilegal da medicina, previsto no Artigo 282 do Código Penal Brasileiro, com pena que pode chegar a dois anos de detenção, além de multas. A polícia agora busca determinar por quanto tempo o suspeito atuou no atendimento desta e de outras famílias na região.
Especialistas em gestão hospitalar alertam que a falta de troca de sondas por um período de 150 dias é um erro técnico crasso que dificilmente seria cometido por um profissional devidamente habilitado. O acúmulo de resíduos e a degradação do material plástico podem causar sepse e outras complicações fatais em pacientes imunossuprimidos. A família agora busca respaldo jurídico para responsabilizar não apenas o indivíduo, mas também possíveis empresas de home care que possam ter intermediado o contato.
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Contexto
O mercado de atendimento domiciliar no Brasil tem registrado um crescimento acelerado, mas a fiscalização nem sempre acompanha o ritmo das contratações. Casos de falsos profissionais aproveitando-se da vulnerabilidade de famílias com pacientes crônicos tornaram-se um desafio para as secretarias de segurança pública. Em 2023, diversos estados registraram prisões de indivíduos portando CRMs falsificados ou utilizando registros de médicos já falecidos para atuar em clínicas e residências.
Para garantir a segurança, o Ministério da Saúde orienta que pacientes e familiares sempre consultem a situação cadastral do médico no portal do Conselho Federal de Medicina (CFM) antes de iniciar qualquer tratamento. A verificação do Registro de Qualificação de Especialista (RQE) também é fundamental para confirmar se o profissional possui treinamento específico para lidar com casos complexos, como o de tumores cerebrais infantis.
O que esperar
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O próximo passo das investigações envolve o depoimento formal do acusado e a análise dos prontuários preenchidos durante os meses de atendimento. A defesa da família aguarda a conclusão do inquérito para protocolar uma ação por danos morais e materiais, além de tentativa de homicídio por omissão, dado o risco iminente a que a criança foi exposta. A paciente segue agora sob cuidados de uma equipe multidisciplinar certificada para reverter possíveis danos causados pela má conduta anterior.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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