Falta de insulina em UBSs de São Paulo gera alerta em pacientes e famílias

Moradores de diversas regiões de São Paulo relatam desabastecimento de insulina NPH e seringas há pelo menos um mês em unidades básicas de saúde da capital.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 13:163 min de leitura

Resumo em 10 segundos

Pacientes diabéticos enfrentam dificuldades para obter medicação essencial e insumos em unidades de saúde das zonas Norte e Sul da capital paulista.

Moradores da cidade de São Paulo denunciam a interrupção no fornecimento de insulina NPH e seringas em pelo menos sete Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O problema, que afeta diretamente o controle glicêmico de centenas de pessoas, teria começado há cerca de 30 dias, forçando famílias a buscarem alternativas de alto custo na rede privada ou a racionarem as doses diárias, o que coloca a saúde dos pacientes em risco imediato.

Impacto nas comunidades das zonas Norte e Sul

O desabastecimento é mais crítico em bairros periféricos das zonas Norte e Sul, onde o acesso à rede pública é a única via de tratamento para muitos cidadãos. Relatos colhidos em unidades como as de Santana, Casa Verde e Grajaú apontam que, ao chegarem aos postos, os pacientes são informados de que não há previsão para a chegada de novos lotes da insulina NPH. Além do hormônio, a escassez de seringas descartáveis agrava o cenário, impedindo até mesmo quem ainda possui o medicamento em casa de realizar a aplicação de forma segura e higiênica.

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Para muitos usuários, a espera já ultrapassa quatro semanas. A falta de uma resposta clara por parte das gerências locais tem gerado indignação. Famílias relatam que o custo mensal para manter o tratamento por conta própria pode ultrapassar os R$ 300,00, valor que compromete o orçamento doméstico de quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Sem a aplicação correta, o risco de complicações graves, como a cetoacidose diabética, aumenta consideravelmente.

Posicionamento da gestão municipal

Questionada sobre as falhas na distribuição, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de São Paulo admitiu a ocorrência de problemas, mas minimizou a escala do desabastecimento. Segundo a pasta, foram identificadas faltas pontuais em apenas três unidades da rede. A prefeitura alega que o fluxo logístico sofreu intercorrências temporárias e garantiu que o abastecimento será normalizado nos próximos dias. No entanto, o órgão não detalhou se houve atraso na entrega por parte dos fornecedores ou falha no planejamento de estoque da administração municipal.

Enquanto a solução não é oficializada, o conselho municipal de saúde orienta que os pacientes que encontrarem prateleiras vazias registrem a queixa na Ouvidoria Geral da Cidade. A administração reforçou que está monitorando a rede para redistribuir estoques remanescentes de unidades com menor demanda para os pontos críticos, tentando mitigar o impacto nas regiões mais afetadas pelo desfalque de insumos.

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Contexto

A insulina NPH é um medicamento de ação intermediária fundamental para o tratamento do Diabetes Mellitus, sendo fornecida gratuitamente pelo governo. A falha na entrega desse item é recorrente em períodos de transição de contratos ou problemas na malha logística nacional. Em São Paulo, a rede de atenção básica atende uma das maiores populações de diabéticos do país, o que exige uma gestão de estoque rigorosa para evitar que o desabastecimento atinja níveis críticos como os relatados neste mês de outubro.

Historicamente, a capital paulista já enfrentou crises semelhantes de falta de insumos básicos, muitas vezes ligadas a atrasos nos repasses do Ministério da Saúde ou problemas em licitações municipais. A continuidade do tratamento é vital, pois a interrupção abrupta da insulina pode levar a internações de urgência, sobrecarregando ainda mais os hospitais públicos e as unidades de pronto atendimento da metrópole.

O que esperar

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A expectativa é que a Secretaria Municipal de Saúde finalize a reposição dos estoques até o final desta semana. Pacientes e entidades de defesa dos direitos dos diabéticos prometem realizar atos de cobrança caso as UBSs continuem sem o medicamento na próxima segunda-feira. O monitoramento das unidades nas zonas Norte e Sul seguirá intenso por parte das lideranças comunitárias para assegurar que o direito à saúde seja restabelecido sem novos atrasos.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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