Febre maculosa: morte de mulher em São Bernardo do Campo acende alerta
Vigilância Epidemiológica confirma óbito de paciente de 43 anos em São Bernardo do Campo. Bactéria foi encontrada em carrapatos de animais domésticos da vítima.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 20:543 min de leitura
Vigilância Epidemiológica de São Bernardo do Campo confirma óbito fulminante e reforça medidas de prevenção contra a bactéria Rickettsia rickettsii.
Uma mulher de 43 anos perdeu a vida em decorrência de complicações graves da febre maculosa no município de São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC. O caso, que gerou preocupação imediata nas autoridades de saúde locais, chamou a atenção pela rapidez da evolução do quadro clínico: a paciente faleceu menos de 24 horas após ser admitida em uma unidade hospitalar da rede municipal. A confirmação do diagnóstico laboratorial mobilizou equipes de controle de zoonoses para a região de residência da vítima.
Investigação e origem do contágio
Após a notificação do óbito, técnicos da Vigilância Epidemiológica iniciaram uma varredura rigorosa no entorno onde a mulher residia. Durante as diligências, os agentes coletaram amostras de parasitas encontrados nos cães de estimação da vítima. As análises laboratoriais confirmaram a presença da bactéria causadora da doença nos carrapatos que infestavam os animais domésticos, estabelecendo um vínculo direto entre o ambiente domiciliar e a infecção fatal.
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O caso é considerado atípico por não envolver, inicialmente, áreas de mata fechada ou a presença de capivaras, que são os hospedeiros mais comuns do carrapato-estrela em zonas urbanas e rurais de São Paulo. A prefeitura informou que está monitorando os familiares e vizinhos da paciente para identificar possíveis novos sintomas, embora a febre maculosa não seja transmitida diretamente de uma pessoa para outra.
Sintomas e gravidade do quadro
A rapidez com que a doença progrediu no organismo da paciente de 43 anos reforça a necessidade de diagnóstico precoce. Segundo o Ministério da Saúde, a febre maculosa apresenta sintomas iniciais que podem ser confundidos com outras enfermidades, como febre alta, dores de cabeça intensas e mialgia. No entanto, sem o tratamento adequado com antibióticos específicos nos primeiros dias, a taxa de letalidade pode ultrapassar 50%.
As autoridades sanitárias de São Bernardo do Campo emitiram um comunicado orientando a população a verificar a presença de parasitas em animais e no próprio corpo após caminhadas em áreas com gramado. O uso de roupas claras é recomendado para facilitar a visualização do carrapato. Caso ocorra a picada, a recomendação é remover o parasita com uma pinça, sem esmagá-lo, e procurar assistência médica imediata ao surgirem os primeiros sinais febris.
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Contexto
A febre maculosa é uma doença infecciosa febril aguda, causada por bactérias do gênero Rickettsia. No estado de São Paulo, o monitoramento da doença é constante devido ao histórico de surtos em regiões ribeirinhas e parques. Em 2023, o estado registrou um aumento significativo na atenção pública para a enfermidade após um surto em uma fazenda no interior, que vitimou quatro pessoas em um curto espaço de tempo.
A transmissão ocorre exclusivamente pela picada do carrapato infectado, que precisa ficar aderido à pele por um período de três a seis horas. A urbanização da doença, agora chegando a ambientes controlados através de animais domésticos, representa um novo desafio para as políticas de saúde pública e manejo de vetores nos centros urbanos do ABC paulista.
Próximos passos
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A Secretaria Municipal de Saúde de São Bernardo do Campo deve intensificar as ações de nebulização e orientação casa a casa nos bairros adjacentes ao local do contágio. Novas amostras de solo e vegetação serão coletadas nos próximos dias para mapear a extensão da infestação por carrapatos infectados. O laudo detalhado sobre a variante da bactéria deve ser concluído pelo Instituto Adolfo Lutz nas próximas semanas.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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