FenaBio 2024: Brasil acelera debate sobre SAF, biogás e futuro do etanol

Segunda edição da FenaBio reúne especialistas em Sertãozinho para discutir o papel estratégico do combustível sustentável de aviação e da bioenergia no Brasil.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 17:163 min de leitura

FenaBio 2024: Brasil acelera debate sobre SAF, biogás e futuro do etanol
Resumo em 10 segundos

Evento focado em tecnologia e mobilidade verde projeta o país como líder global na produção de combustíveis sustentáveis.

A 2ª edição da FenaBio consolida-se nesta semana como o epicentro das discussões sobre a transição energética brasileira durante a Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho, no interior de São Paulo. O encontro reúne as principais lideranças do setor sucroenergético, engenheiros e investidores para debater a escalabilidade do SAF (Combustível Sustentável de Aviação), o avanço do biogás e a modernização da cadeia do etanol, em um momento onde a descarbonização da economia global se torna prioridade absoluta para o mercado externo.

O avanço do SAF e do biogás no cenário nacional

Um dos eixos centrais da conferência é a viabilidade técnica e comercial do SAF, combustível derivado da biomassa que promete reduzir em até 80% as emissões de carbono no transporte aéreo. De acordo com especialistas presentes no fórum, o Brasil possui a infraestrutura de usinas necessária para se tornar o maior exportador mundial dessa solução. Além disso, o biogás ganha relevância como uma alternativa robusta para a substituição do diesel em frotas pesadas, aproveitando resíduos como a vinhaça e a torta de filtro, subprodutos que antes eram vistos apenas como fertilizantes e hoje são ativos energéticos de alto valor.

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Novas tecnologias e eficiência produtiva

Durante os painéis técnicos, o foco recai sobre a indústria 4.0 aplicada ao campo e às destilarias. A implementação de sensores de precisão e inteligência artificial na colheita e no processamento da cana-de-açúcar tem permitido um incremento de produtividade sem a necessidade de expansão de área plantada. Autoridades do setor destacam que a meta é elevar a eficiência das usinas brasileiras para que o etanol de segunda geração (E2G) atinja volumes comerciais competitivos, garantindo que o país atenda à crescente demanda por insumos químicos renováveis e hidrogênio verde.

Oportunidades para a mobilidade sustentável

O debate sobre mobilidade não se restringe aos aviões, abrangendo também o transporte rodoviário e a eletrificação por meio de células de combustível. O uso do etanol como vetor de hidrogênio foi apontado como uma das soluções mais baratas e viáveis para a realidade brasileira, evitando a necessidade de construção de uma rede complexa de postos de recarga elétrica. Representantes da agroindústria reforçaram que a integração entre diferentes fontes de bioenergia é o caminho para o Brasil alcançar as metas estabelecidas no Acordo de Paris, transformando a matriz energética nacional em um modelo a ser seguido por outras potências econômicas.

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Contexto

A FenaBio surge em um momento de transformações legislativas importantes, como a aprovação do projeto de lei do Combustível do Futuro. Este marco regulatório estabelece metas progressivas de mistura de biocombustíveis e incentiva a pesquisa em novas rotas tecnológicas. Historicamente, o Estado de São Paulo concentra a maior parte da produção nacional, mas o interesse pelo biometano tem crescido exponencialmente em regiões como o Centro-Oeste, onde a integração lavoura-pecuária oferece abundância de matéria-prima para a geração de energia limpa.

O que esperar

As conclusões da FenaBio devem nortear os próximos investimentos do setor privado, que prevê aportes bilionários em novas plantas de biogás e unidades de refino de SAF até o final de 2030. A expectativa é que o evento gere acordos de cooperação técnica entre universidades e o setor produtivo, acelerando a chegada de patentes brasileiras ao mercado internacional e consolidando a soberania energética do país através da biotecnologia.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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