Fenasucro & Agrocana atrai US$ 7 bilhões em investimentos para bioenergia
ApexBrasil coordena rodada de negócios focada em combustíveis sustentáveis de aviação durante a maior feira de bioenergia do mundo em Sertãozinho.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 17:543 min de leitura

Evento em Sertãozinho consolida o Brasil como protagonista global na produção de combustíveis sustentáveis para aviação e transporte marítimo.
A Fenasucro & Agrocana, consolidada como a maior vitrine de bioenergia do mundo, tornou-se o epicentro de negociações bilionárias nesta edição em Sertãozinho, no interior de São Paulo. Sob a coordenação da ApexBrasil, o evento atraiu investidores internacionais interessados em projetos de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) e e-SAF, com um potencial de prospecção que atinge a marca de US$ 7 bilhões. O foco está na modernização da cadeia produtiva brasileira para atender à demanda global por descarbonização.
Aposta no combustível do futuro
O interesse estrangeiro reflete a posição estratégica do Brasil na transição energética global. Durante as rodadas de negócios, representantes de fundos de investimento e grandes corporações analisaram projetos que utilizam a biomassa da cana-de-açúcar como matéria-prima principal. A meta é viabilizar plantas industriais capazes de produzir o SAF em larga escala, item essencial para que o setor aéreo mundial cumpra as metas de redução de emissões de carbono estabelecidas para 2030 e 2050.
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Impacto na cadeia de bioenergia
De acordo com a ApexBrasil, os US$ 7 bilhões em prospecção não abrangem apenas a venda direta de produtos, mas a instalação de novas unidades fabris e o desenvolvimento de tecnologia nacional. O setor de máquinas e equipamentos, muito forte na região de Ribeirão Preto, deve ser o primeiro a sentir o reflexo desses aportes, com a modernização de usinas para a captura de CO2 biogênico, necessário para a produção do e-SAF. Especialistas do setor afirmam que este movimento pode gerar milhares de empregos qualificados no interior paulista nos próximos anos.
O papel das rodadas internacionais
A estratégia de trazer compradores de países da Europa, Ásia e América do Norte visa diversificar a pauta exportadora do agronegócio brasileiro. Além do açúcar e do álcool tradicional, o país agora exporta valor agregado na forma de soluções ambientais. A organização da feira destacou que o volume de negócios iniciados nesta semana supera as expectativas iniciais, reforçando o papel da Fenasucro & Agrocana como plataforma de lançamento para tecnologias de hidrogênio verde e outros derivados da cana.
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Contexto
O mercado de combustíveis sustentáveis tem ganhado tração após a aprovação de legislações rigorosas em blocos econômicos como a União Europeia, que exigem a mistura gradual de biocombustíveis no querosene de aviação fóssil. O Brasil, que já possui a infraestrutura logística e agrícola mais competitiva do planeta, surge como o fornecedor mais viável para suprir essa carência global. Historicamente, a região de Sertãozinho lidera a inovação no setor sucroenergético, tendo sido o berço do Proálcool na década de 1970.
O que esperar
Após o encerramento da feira, o grupo de trabalho da ApexBrasil deve realizar o acompanhamento dos protocolos de intenção assinados. A expectativa é que os primeiros contratos definitivos para as novas usinas de SAF sejam oficializados até o primeiro semestre de 2025. Caso as projeções de US$ 7 bilhões se concretizem, o setor de bioenergia brasileiro poderá dobrar sua capacidade de inovação tecnológica na próxima década.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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