Fernando de Noronha 523 anos: segredos revelados no fundo do mar
No aniversário do arquipélago, mergulhadores e especialistas detalham a biodiversidade e os mistérios submersos de um dos destinos mais cobiçados do mundo.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 10 de agosto de 2026 às 04:003 min de leitura

Arquipélago pernambucano celebra aniversário com registros inéditos de ecossistemas subaquáticos e formações geológicas raras.
O arquipélago de Fernando de Noronha completa 523 anos de história nesta semana, consolidando-se como um dos principais santuários ecológicos do Brasil. Localizado a 545 quilômetros de Recife, o conjunto de ilhas atrai a atenção de pesquisadores e turistas não apenas pela beleza das praias, mas pelo universo preservado sob as águas do Oceano Atlântico, onde a vida marinha floresce em estruturas vulcânicas milenares e recifes intocados.
Geologia e biodiversidade submersa
A base geológica de Fernando de Noronha é composta por uma imensa cordilheira vulcânica submersa, da qual apenas os picos emergem para formar as ilhas. No fundo do mar, os fotógrafos subaquáticos Fabi Fregonesi e Raphael Gatti registraram formações rochosas que servem de abrigo para centenas de espécies. Entre os destaques estão os chamados condomínios de lagosta, fendas naturais onde dezenas desses crustáceos se agrupam para proteção e reprodução, criando um espetáculo visual raro para mergulhadores experientes.
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O ecossistema das estações de limpeza
Um dos comportamentos mais fascinantes observados nas águas noronhenses ocorre nas estações de limpeza. Nesses locais específicos, tartarugas-marinhas e grandes peixes buscam a ajuda de pequenos peixes limpadores, que removem parasitas e tecidos mortos de seus cascos e peles. Esse processo de simbiose é vital para a saúde da fauna local e demonstra o equilíbrio delicado do Parque Nacional Marinho, que é monitorado rigorosamente pelo ICMBio para garantir a preservação dessas interações naturais.
Mistérios e naufrágios históricos
Além da fauna, a história humana também repousa no leito oceânico. O naufrágio da Corveta Ipiranga, que afundou em 1983 após colidir com uma rocha submersa, é considerado um dos pontos de mergulho mais famosos do mundo. Repousando a 62 metros de profundidade, a embarcação está quase intacta e se tornou um recife artificial gigante, abrigando tubarões-lixa, raias e grandes cardumes que utilizam a estrutura de ferro como moradia permanente.
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Contexto
Desde a sua descoberta oficial em 10 de agosto de 1503, durante a expedição de Gonçalo Coelho, o arquipélago passou por diversas fases, de base militar a presídio político, até se tornar um Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO em 2001. A preservação ambiental é o pilar econômico da região, que impõe limites rigorosos de visitação para proteger as 21 ilhas e ilhotas que compõem o complexo.
Atualmente, a gestão do arquipélago enfrenta o desafio de equilibrar o turismo de luxo com a sustentabilidade. Com uma taxa de preservação ambiental obrigatória para todos os visitantes, os recursos são destinados à manutenção da infraestrutura e à proteção das espécies endêmicas, que não existem em nenhum outro lugar do planeta.
O que esperar
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Para os próximos anos, as autoridades ambientais planejam expandir as áreas de monitoramento remoto para combater a pesca ilegal e garantir que a população de golfinhos-rotadores e tubarões continue crescendo. As celebrações dos 523 anos reforçam o compromisso de Fernando de Noronha como um laboratório vivo para a ciência e um exemplo de conservação marinha para o cenário internacional.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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