Fome global recua pelo terceiro ano consecutivo em 2025, aponta ONU
Relatório das Nações Unidas indica queda na insegurança alimentar severa, mas alerta que alimentação saudável ainda é luxo para bilhões de pessoas no mundo.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 11:213 min de leitura

Avanço no combate à desnutrição contrasta com a dificuldade financeira de acesso a dietas nutritivas e o avanço da obesidade.
O cenário da segurança alimentar global apresentou uma melhora significativa em 2025, marcando o terceiro ano consecutivo de queda nos índices de subnutrição em todos os continentes. Segundo dados consolidados pela Organização das Nações Unidas (ONU), o esforço coordenado entre governos e entidades internacionais permitiu que milhões de pessoas saíssem da zona de fome extrema. No entanto, o relatório anual de segurança alimentar revela um paradoxo alarmante: embora haja mais comida disponível, o custo de uma dieta equilibrada permanece proibitivo para bilhões de cidadãos, agravando outras crises de saúde pública.
Avanços e desigualdades regionais
A redução da fome foi observada de forma generalizada, com quedas acentuadas em regiões da África Subsaariana e do Sudeste Asiático, que historicamente lideravam as estatísticas negativas. De acordo com os técnicos da ONU, a estabilização das cadeias de suprimentos e o fortalecimento de programas de transferência de renda foram cruciais para este resultado positivo. Contudo, a entidade alerta que a erradicação total da subnutrição ainda enfrenta barreiras severas em zonas de conflito e áreas vulneráveis às mudanças climáticas, onde o acesso ao básico ainda é intermitente.
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O desafio da alimentação saudável
O grande entrave identificado no levantamento deste ano não é a falta de calorias, mas a qualidade delas. O relatório destaca que o preço de alimentos nutritivos, como frutas, vegetais e proteínas magras, subiu acima da inflação média global, tornando a alimentação saudável inacessível para grande parte da população mundial. Esse cenário empurra as famílias para o consumo de produtos ultraprocessados de baixo custo, resultando em um fenômeno de "fome oculta", onde o indivíduo consome calorias suficientes, mas carece de micronutrientes essenciais para o desenvolvimento humano.
Crise de saúde entre mulheres e adultos
Outro ponto crítico levantado pelas autoridades internacionais é o avanço da anemia entre mulheres em idade reprodutiva, um indicador que não acompanhou a melhora dos índices gerais de fome. Paralelamente, a obesidade adulta atingiu níveis recordes em 2025, afetando tanto países desenvolvidos quanto nações em desenvolvimento. A transição nutricional inadequada está gerando uma sobrecarga nos sistemas públicos de saúde, que agora precisam lidar simultaneamente com resquícios da desnutrição e o aumento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão.
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Contexto
Nos últimos cinco anos, o mundo enfrentou uma volatilidade extrema nos preços das commodities agrícolas, impulsionada por tensões geopolíticas e gargalos logísticos. A recuperação iniciada há três anos reflete políticas de soberania alimentar e investimentos em agricultura familiar, que começam a dar frutos em escala global. No entanto, a meta de Fome Zero estabelecida para a Agenda 2030 ainda exige reformas estruturais profundas no sistema de distribuição de alimentos.
O que esperar
Para os próximos meses, a expectativa é que os organismos internacionais pressionem por subsídios voltados à produção de alimentos frescos e pela regulamentação mais rígida de produtos industrializados. O foco das políticas públicas deve migrar da simples oferta de calorias para a garantia de segurança nutricional, visando reverter os índices de anemia e obesidade. A próxima cúpula global de sistemas alimentares será decisiva para definir as metas de redução de custos da cesta básica nutritiva até o final da década.
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