Força-tarefa destrói 45 acampamentos de garimpo ilegal no Pará
A Operação Federal Extractio II mobilizou agentes para desarticular extração clandestina de ouro e cobre em Parauapebas e Canaã dos Carajás, no sudeste paraense.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 19:553 min de leitura

Ações integradas entre órgãos federais e forças de segurança resultam na inutilização de infraestrutura milionária usada para extração ilícita de minérios.
Uma ofensiva de grande escala contra a exploração mineral clandestina desarticulou 45 acampamentos utilizados por garimpeiros ilegais no sudeste do Pará. A ação, ocorrida nesta semana, concentrou esforços nas regiões de Parauapebas e Canaã dos Carajás, áreas historicamente visadas pelo alto potencial de extração de ouro e cobre. Durante as incursões, as equipes de fiscalização inutilizaram maquinários pesados e estruturas de apoio que sustentavam a atividade criminosa em áreas de preservação ambiental.
Detalhes da ofensiva em campo
A operação mobilizou um contingente robusto formado por agentes do ICMBio, Ibama, Força Nacional e da Polícia Militar do Pará. O foco principal foi a neutralização logística dos grupos que atuam na floresta, resultando na destruição de escavadeiras hidráulicas, motores de alta potência e sistemas de bombeamento de água. Segundo o balanço das autoridades, os poços de extração foram interditados para impedir o retorno imediato das atividades degradantes ao solo e aos cursos d'água locais.
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O uso de aeronaves e patrulhas terrestres permitiu que os fiscais localizassem pontos de difícil acesso, onde a densa vegetação era utilizada como camuflagem para os acampamentos clandestinos. A estratégia de destruição do maquinário no local segue as diretrizes da legislação ambiental brasileira, aplicada quando a remoção dos bens é inviável ou coloca em risco a segurança das equipes. O prejuízo financeiro aos financiadores do garimpo é estimado em milhões de reais, considerando o valor de mercado das máquinas pesadas inutilizadas.
Impacto ambiental e monitoramento
Além da extração de minérios sem autorização, as frentes de trabalho ilegais causavam danos severos ao ecossistema da região, incluindo o desmatamento de matas ciliares e a contaminação de rios por sedimentos e substâncias químicas. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a presença de metais pesados na cadeia hídrica representa um risco direto à saúde das comunidades locais e à biodiversidade. A fiscalização identificou que os garimpos operavam em regime de 24 horas, utilizando geradores de energia para manter a produção incessante.
As autoridades reforçaram que a repressão ao crime ambiental nesta parte do Pará é prioritária devido à proximidade com unidades de conservação. A inteligência policial monitora agora a movimentação de investidores ocultos que fornecem o capital para a compra de equipamentos e contratação de mão de obra para os canteiros ilegais. Documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos durante a incursão serão analisados para identificar a cadeia de custódia do mineral extraído irregularmente.
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Contexto
A região sudeste do Pará é um dos principais polos de mineração do mundo, abrigando algumas das maiores reservas de ferro e cobre do planeta. No entanto, essa riqueza mineral atrai redes de exploração clandestina que se aproveitam da vasta extensão territorial para instalar minas ilegais. O avanço do garimpo sobre áreas protegidas tem gerado conflitos agrários e pressão constante sobre os órgãos de controle, exigindo operações periódicas como esta para conter o avanço da fronteira mineral ilícita.
Historicamente, o combate a essas práticas enfrenta desafios logísticos imensos, dada a infraestrutura precária de acesso e a resistência de grupos organizados. Entre 2023 e 2024, o governo federal intensificou a presença de forças de segurança na Amazônia Legal, visando reduzir os índices de desmatamento associados à mineração. O Pará, especificamente, concentra grande parte das autuações por crimes contra o patrimônio da União e contra o meio ambiente.
Próximos passos
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As investigações seguem em curso para mapear as rotas de escoamento do ouro e do cobre retirados da região. O governo do estado e órgãos federais planejam manter bases avançadas de monitoramento para evitar que novos acampamentos sejam erguidos nas mesmas coordenadas geográficas. A expectativa é que novas fases da operação ocorram nos próximos meses para sufocar financeiramente as organizações que lucram com a destruição da floresta.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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